Baleias vivas geram US$ 82,5 bilhões em serviços ecossistêmicos para o Brasil

Baleia-jubarte

No mundo todo, serviços desempenhados pelas baleias são estimados em um trilhão de dólares.

A matança indiscriminada de baleias foi, por muito tempo, justificada pelo valor de sua carne e óleo extraído dos animais abatidos. No entanto, estudos recentes indicam que baleias vivas valem muito mais do que mortas devido aos serviços ecossistêmicos que elas desempenham. Apenas a população brasileira de baleias é avaliada em 82,5 bilhões de dólares (cerca de R$ 410 bilhões), de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Universidade de Duke, na Carolina do Norte.

O levantamento, encomendado pelo Projeto Baleia Jubarte e a organização Great Whale Conservancy (GWC), quantificou os serviços prestados pelas baleias no Brasil, que vão desde o ecoturismo, sequestro de carbono, até a fertilização dos mares, que estimula o crescimento do fitoplâncton.

A estimativa incluiu as oito espécies encontradas em território nacional, incluindo as baleias migratórias, como a jubarte (Megaptera novaeangliae), e as residentes, como a cachalote (Physeter macrocephalus).

“Toda a riqueza passageira gerada pela caça às baleias ao longo dos séculos, empalidece em comparação com o valor que uma baleia viva tem em nosso tempo de emergência climática e a necessidade de restaurar o equilíbrio nos ecossistemas oceânicos a fim de criar e manter empregos e renda”, destacou Eduardo Camargo, do Projeto Baleia Jubarte.

No final do ano passado, o mesmo grupo havia afirmado, em artigo cientifico, que a população mundial de grandes baleias valia cerca de um trilhão de dólares. O Brasil foi o primeiro país a usar o método para calcular o valor desses animais na economia local. Eles estimaram que cada baleia vale cerca de US$ 2 milhões.

Armazenamento de carbono

As baleias guardam um estoque gigantesco de dióxido carbono (CO2) durante toda a sua vida. Estima-se que cada indivíduo de grande porte sequestra cerca de 33 toneladas de CO2 da atmosfera por séculos. Quando morrem, geralmente em mar aberto, elas levam consigo o carbono armazenado e os corpos liberam lentamente o gás.

Segundo o diretor de relações institucionais do Instituto Baleia Jubarte, José Truda Palazzo Júnior, é possível que esse carbono passe centenas de anos no mar até voltar à atmosfera. Por isso, o mamífero é importante na restauração do equilíbrio oceânico e mitigação das mudanças climáticas.

Além de sequestrarem carbono, elas fertilizam a água com seus dejetos (ricos em nutrientes) e estimulam a produção de organismos com a mesma habilidade: os fitoplânctons. Estes seres microscópicos são responsáveis pela oxigenação da água, sustentação da cadeia alimentar marinha e captura de aproximadamente 40% de todo o CO2 liberado no planeta.

Ecoturismo

A chegada das baleias ao litoral brasileiro movimenta não só a comunidade cientifica, mas também o turismo de observação. Durante o inverno, baleias francas e jubarte visitam a costa brasileira para dar à luz a seus filhotes, atraindo milhares de turistas.

Estima-se que mais de 64 mil baleias de grande porte migrem para as águas brasileiras anualmente, trazendo cerca de 228 mil turistas, que gastam mais de US$ 6 milhões para avistar baleias, informou Palazzo Júnior. Nos mais de 130 países que promovem a modalidade turística, as baleias movimentam em torno de 2 bilhões de dólares.

Para Sérgio Cipolotti, também do Instituto Baleia Jubarte, o cetáceo fomenta o turismo no momento de baixa temporada e atrai pessoas do mundo inteiro. Ele destacou que observar as baleias em seu habitat natural é uma forma de sensibilizar as pessoas para as questões ambientais. 

 

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