G20 é responsável por 75% do orçamento global de carbono para o sistema alimentar

Dietas à base de plantas aliam saúde e sustentabilidade ambiental

Se a humanidade inteira seguisse as dietas dos países do G20, o limite planetário de emissões de GEEs excederia em 263% até 2050.

Uma análise sobre o consumo de alimentos nas 20 maiores economias do mundo revelou que países como o Brasil, Argentina, Alemanha, Canadá e Estados Unidos estão impulsionando as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) relacionadas à alimentação devido ao consumo insustentável de carne vermelha e laticínios.

Se todos os países seguissem as dietas dos integrantes do G20 seriam necessários mais seis planetas para sustentar o consumo e a produção de alimentos. A expansão dos padrões alimentares do grupo ainda excederia o limite planetário de GEEs para o sistema alimentar em 263% até 2050. As conclusões são do estudo “Diets for better a future” (Dietas para um futuro melhor), da plataforma global Eat Lancet.

“Atualmente, indivíduos na maioria desses países estão comendo demais os alimentos errados - em detrimento do clima, saúde e economia”, indicou comunicado da Eat Lancet. Estima-se que mais da metade dos países do G20 consomem, por dia, de três a cinco vezes mais carne vermelha que o valor máximo ideal (28 gramas).

O bloco – que representa 10% dos países do mundo e 64% da população global – é responsável por 75% do total de emissões relacionadas aos alimentos que o planeta deve manter para cumprir as metas do Acordo de Paris. Para equilibrar a pegada de carbono da alimentação, as emissões per capita do G20 devem cair pela metade até 2050. Só assim toda a humanidade terá uma alimentação saudável e dentro dos limites planetários.

“Se realmente sentimos que todas as pessoas no planeta têm direito a alimentos saudáveis e suficientes, o G20 deve avançar e liderar o caminho, reduzindo suas emissões de gases de efeito estufa relacionadas a alimentos”, destacaram os autores do estudo.

A comissão constatou que substituir parte dos produtos de origem animal por vegetais é uma alternativa para os integrantes do G20 reduzirem as emissões de 75% para aproximadamente 40% do orçamento total de carbono para alimentos. A recomendação é aumentar o consumo de frutas, legumes e nozes e diminuir o consumo de carne e laticínios.

Planeta sob pressão

Hoje, a produção global de alimentos é a maior pressão humana sobre Terra, detendo 25% das emissões mundiais de GEEs. A agricultura já domina cerca de 40% da superfície terrestre e tem sido a principal condutora do desmatamento tropical, degradação de habitats e perda de biodiversidade.

“Um relatório de 2020 revelou que perdemos 11,9 milhões de hectares de cobertura arbórea em 2019. Quase um terço dessa perda, 3,8 milhões de hectares, ocorreu dentro de florestas primárias tropicais úmidas, áreas de floresta tropical madura que são especialmente importantes para a biodiversidade e o armazenamento de carbono. A raiz dessa perda florestal nos trópicos é a agricultura em larga escala, incluindo a produção de soja e a pecuária”, pontuou o relatório.

Os especialistas também chamaram a atenção para as pandemias, com a covid-19, cujo surgimento está relacionado ao sistema alimentar. “A pandemia do COVID-19 destacou, mais uma vez, que o que comemos é importante. A pandemia é uma manifestação de nosso relacionamento rompido com a natureza e o modo como produzimos e consumimos alimentos está no centro disso”, declarou João Campari, líder de práticas alimentares do WWF.

Para os pesquisadores, mudanças nos padrões alimentares da população salvariam quase 11 milhões de vidas e ainda reduziriam os impactos ambientais. Além da adoção de dietas flexitarianas (à base de plantas), reduções drásticas no desperdício de alimentos e melhores práticas agrícolas são essenciais para reduzir as emissões do sistema alimentar.

O principal autor do relatório, Brent Loken, ressaltou a importância da orientação dos governos quanto ao consumo sustentável dos alimentos. "Diretrizes dietéticas nacionais são um fator que os países podem usar para impulsionar a urgentemente necessária transformação para dietas mais saudáveis, sustentáveis, e, em última análise, um sistema alimentar mais resiliente", disse.

Como um componente essencial da saúde pública, as diretrizes alimentares nacionais podem ser utilizadas para determinar a compra pública de alimentos e orientar programas educacionais.

 

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