Planeta enfrenta emergência climática

Redução no desmatamento, como este na Amazônia, é uma das medidas urgentes indicadas pelos cientistas / Crédito: Getty Images via BBC

Em artigo, mais de 11 mil cientistas apresentam evidências de que a Terra está em crise

Mais de 11 mil cientistas de 153 países se uniram para declarar que o planeta está enfrentando uma emergência climática. Eles assinam juntos artigo publicado na revista BioScience no último dia 5 na qual apresentam evidências de que a Terra está em crise e sugestões para mudar esse cenário alarmante.

Desde a Primeira Conferência Mundial do Clima, realizada em Genebra em 1979, cientistas já alertavam sobre as tendências de mudança no clima. Os alertas se repetiram na Eco 92, no Rio de Janeiro; durante a elaboração do Protocolo de Kyoto, em 1997; e no Acordo de Paris, em 2015. Contudo, os esforços para conter as emissões de gases do efeito estufa não estão sendo suficientes. "As emissões ainda estão aumentando rapidamente, com efeitos cada vez mais prejudiciais ao clima da Terra. É necessário um imenso aumento de escala nos esforços para conservar nossa biosfera, a fim de evitar sofrimentos incalculáveis devido à crise climática", pontuaram os especialistas.

O grupo afirma que alguns indicadores relacionados às atividades humanas são positivos, como taxas de natalidade em declínio e aumento da utilização de combustíveis renováveis. Porém a maioria aponta para "sinais profundamente perturbadores das atividades humanas", como aumento da população de gado, perda global de cobertura de árvores, maiores emissões de dióxido de carbono e assim por diante.

Segundo os cientistas, a adoção de medidas emergenciais em seis áreas poderia ter um grande impacto na contenção da crise.

Energia

O grupo propõe o estabelecimento de altos impostos sobre a emissão de carbono como forma de desestimular o consumo de combustíveis fósseis (como petróleo) e eliminar os subsídios existentes para esse tipo de combustível. Os cientistas ressaltam que é preciso substituir petróleo e gás por energias renováveis e implementar medidas amplas de conservação, além de "deixar os estoques remanescentes de combustíveis fósseis no solo", ou seja, deixar de explorá-los.

Poluentes de curta duração

Metano, fuligem e hidrocarbonetos são gases que ficam pouco tempo na atmosfera, mas têm grande impacto no efeito estufa. Segundo os pesquisadores, limitar a emissão desses gases tem o potencial de reduzir a atual tendência de aquecimento global em até 50% ao longo das próximas décadas.

Natureza

O grupo enfatiza que é urgente impedir a perda de habitat e biodiversidade, proteger florestas ainda intactas, "sobretudo aquelas com alta taxa de absorção de carbono", e aumentar o reflorestamento em grande escala. Os cientistas pontuam que um terço da redução de emissões necessária até 2030 para o cumprimento do Acordo de Paris pode ser obtido com essas soluções naturais.

Alimentação

Para melhorar a saúde humana e também reduzir as emissões, o estudo sugere a adoção de uma dieta baseada em frutas, vegetais, grãos e oleaginosas, e menos voltada à proteína animal, particularmente gado ruminante.

Economia

"Nossa meta deve mudar de crescimento do PIB para a sustentabilidade de ecossistemas e a melhora do bem-estar humano, priorizando necessidades básicas e reduzindo a desigualdade", escreveram os cientistas. Para eles, é preciso conter rapidamente a extração extensiva de matérias-primas e exploração em excesso dos ecossistemas para a manutenção de longo prazo da nossa biosfera.

População

A população humana na Terra aumenta em mais de 200 mil pessoas por dia. Os cientistas ponderam que isso deve ser estabilizado e depois reduzido com parâmetros que garantam a integridade social.

Os autores esperam que esses “sinais vitais” possam ser usados pelos formuladores de políticas, pelo setor privado e pelo público para “entender a magnitude dessa crise, acompanhar o progresso e realinhar as prioridades para aliviar as mudanças climáticas”.
Apesar das grandes preocupações e do trabalho significativo a ser feito, os cientistas veem algum espaço para otimismo: “somos encorajados por uma recente onda de preocupação. Órgãos governamentais estão fazendo declarações de emergência climática. Crianças em idade escolar estão em greve. Os processos de ecocídio estão em andamento nos tribunais, movimentos de cidadãos estão exigindo mudanças e muitos países, estados e províncias, cidades e empresas estão respondendo”. Tal ação rápida, pontuam os autores, é nossa melhor esperança de “sustentar a vida no planeta Terra, nosso único lar”.

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