Cientistas preveem extinção do orangotango-de-tapanuli

Pongo tapanuliensis/ Crédito: Tim Laman [CC BY 4.0]

Restam apenas 800 indivíduos da espécie, restrita a um fragmento de aproximadamente mil quilômetros quadrados.

Originário da ilha de Sumatra, na Indonésia, o orangotango-de-tapanuli (Pongo tapanuliensis) é a última espécie de orangotango descrita pela ciência e o primata mais ameaçado do planeta. Descoberto há apenas quatro anos, cientistas acreditam que o animal pode desaparecer mais rápido do que se imaginava.

Em estudo publicado na revista científica Plos One, pesquisadores avaliaram o grau de ameaça à espécie com base em registros de jornais, revistas, museus e artigos científicos publicados nos últimos 200 anos. Parente dos orangotangos-de-bornéu e orangotangos-de-sumatra, os de tapanuli se diferenciam pela sequência genética, formato do crânio e dentes, além da vocalização.

O primata está em risco devido ao avanço da mineração e de projetos de infraestrutura sobre seu único habitat: a Floresta de Batang Toru, ao norte de Sumatra. Hoje, restam apenas 800 indivíduos da espécie, que está restrita a um fragmento de aproximadamente mil quilômetros quadrados. A área corresponde a cerca de 2,5% e 5% do território que ocupava nas décadas de 1890 e 1940, respectivamente.

Historicamente, o orangotango povoava uma extensa área com grande variedade de habitats, sendo mais comum encontrá-lo em elevações mais baixas do que em florestas montanhosas, como Batang Toru. Mas, o crescimento da agricultura familiar e a pressão exercida pela caça predatória, obrigou estes animais a migrarem para outras partes de Sumatra.

Futuro incerto

Além das ameaças historicamente enfrentadas pela espécie, a instalação de projetos de infraestrutura energética e o avanço da mineração de ouro em Batang Toru, aumentam as chances de o animal ser extinto em um futuro próximo. A ameaça mais expressiva vem da construção de uma hidrelétrica na região, financiada por uma iniciativa multimilionária.

Especialistas afirmam que a construção coloca em risco a conectividade entre as subpopulações do oeste, leste e sul, diminuindo drasticamente a variabilidade genética do primata, o que pode levar à disseminação de doenças e a extinção de cada uma das subpopulações.

Na visão dos pesquisadores, para salvar orangotango-de-tapanuli é necessário impedir qualquer inciativa que destrua ainda mais o ambiente natural do animal e evitar mortes ou a remoção dos indivíduos que restaram. Sem uma ação conjunta, os exemplares restantes estão fadados à extinção dentro de algumas gerações, que duram cerca de 25 anos. 

Características 

O orangotango-de-tapanuli é um primata que vive até 40 anos na natureza. Possui membros fortes e longos, o que permite fácil locomoção pelas árvores. Assim como os outros dois orangotangos, o tapanuli se alimenta principalmente de frutos, folhas e pequenos insetos, embora seja o único que aprecie pinhas e lagartas. 

Seus hábitos são solitários, por isso não é visto em grandes bandos. Ao nascer do sol, os machos costumam sair sozinhos em busca de comida, enquanto as fêmeas ficam com a prole, que pode permanecer no ninho até os 15 anos de idade. O primata desempenha um papel importante na saúde e regeneração de seu habitat, por ser um excelente dispersor de sementes.

 

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