Muriqui: maior primata das Américas é dócil e sociável

Muriqui-do-norte tem face clara devido à despigmentação que acontece durante a vida adulta. Crédito: Naíla Fernandes/Flickr

O animal está entre as 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo.

O gênero Brachyteles possui apenas duas espécies e ambas estão ameaçadas de extinção. São elas, o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) e o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), considerados os maiores primatas das Américas. Endêmicos da Mata Atlântica, eles ocorrem somente no Brasil.

De grande importância ecológica, os muriquis podem dispersar, em um único dia, sementes de diversas espécies de plantas, por isso são considerados um dos maiores dispersores e restauradores da Mata Atlântica. O bioma possui, hoje, apenas 12% de sua cobertura original.

Também conhecido como mono-carvoeiro e buriqui, o macaco mede aproximadamente 1,5 metro de altura e pesa até 15 quilos. Vive cerca de 30 anos e, infelizmente, está entre as 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo devido à fragmentação e degradação de seu habitat, caça, expansão agrícola e turismo desordenado.

Por se tratar de um primata de grande porte, possui vocalização singular e de longo alcance. Apesar da facilidade de identificá-lo pelo som que emite, suas populações são escassas e vivem em áreas montanhosas, de difícil acesso, sendo raras as chances de se deparar com um muriqui.

As espécies seguem quase a mesma dieta. São animais herbívoros, que se alimentam de diversas plantas, cascas, flores, pólen, néctar e sementes. Entretanto, os muriquis-do-sul consomem maior quantidade desses alimentos, devido à ampla oferta sazonal das áreas onde vivem, por isso são melhores dispersores.

Sociáveis, esses primatas costumam viver em grupos de quatro até dezenas de indivíduos. Por serem filopátricos, os machos permanecem, na maioria dos casos, no mesmo núcleo familiar durante toda a vida. De hábitos diurnos, os muriquis passam o dia se balançando nas árvores com a sua cauda preênsil.

Uma característica bem peculiar desses animais é que eles gostam de demonstrar afeto abraçando. O comportamento dócil faz com que sejam conhecidos por indígenas como “o povo manso da floresta”. Aparentemente não existe domínio de um macho em relação aos outros do bando, por isso não são vistos disputando diretamente por comida ou pelas fêmeas.

Diferença entre os muriquis

A localização geográfica e as características físicas, são os principais fatores que diferenciam as espécies do gênero Brachyteles. O muriqui-do-norte está presente em remanescentes florestais da Mata Atlântica na Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais. Seus pelos são amarelados e sua face é clara devido à despigmentação que acontece durante a vida adulta. Outra diferença, é que somente o macaco do norte tem polegar.

Já o muriqui-do-sul, pode ser encontrado nos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Ao contrário de seu congênere do norte, o do sul apresenta face totalmente preta, desde o nascimento até a vida adulta. Sua pelagem é predominantemente bege, com nuances de tons mais escuros.

 

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