Veado-roxo: cervídeo típico da Amazônia é encontrado na Mata Atlântica

Crédito:Expedicionários

Animal é um dos cinco representantes do gênero Mazama no Brasil.

Estúdios fotográficos montados em meio à Mata Atlântica, fizeram registros totalmente inesperados da natureza. Grupos de veados-roxos (Mazama nemorivaga) foram flagrados a milhares de quilômetros de distância de seu bioma nativo, a Amazônia. O achado, que ampliou a área de ocorrência conhecida para a espécie, foi feito entre as cidades de Linhares e Sooretama, no Espírito Santo.

As fotos são do coletivo fotográfico Expedicionários, responsável pelo projeto “Biodiversidade Capixaba – Uma expedição ao Espírito Santo Selvagem”. Em 2017, após analisarem as fotografias, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), perceberam que os animais fotografados poderiam ser veados-roxos. Em busca de respostas, eles seguiram rumo à Sooretama.

Márcio Leite de Oliveira, pesquisador da Unesp, ressalta que distinguir as espécies do gênero Mazama é difícil, pois são todas muito parecidas morfologicamente. “Como pesquisamos sobre o gênero há muitos anos, nossa equipe se tornou referência na identificação de fotografias. Entre tantas que recebemos, os flagrantes enviados pela Andressa Gatti, coordenadora da ONG Pró-Tapir chamou atenção”, disse ao G1.

Além dos registros das armadilhas fotográficas, os pesquisadores realizaram análises em laboratório, a partir das fezes e amostras de pelos dos animais. As pesquisas indicaram que a população encontrada em áreas de Mata Atlântica no Espírito Santo e também no Sul da Bahia, era geneticamente semelhante ao Mazama nemorivaga, de origem amazônica.

A espécie

Ao todo, existem cinco representantes do gênero Mazama no Brasil, embora as diferenças visuais sejam mínimas. Esse grupo é dividido em dois, os veados cinzas: veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) e veado-roxo (Mazama nemorivaga); e os veados vermelhos: veado-mateiro (Mazama amareicana), veado-mateiro-pequeno (Mazama bororo) e veado-mão-curta (Mazama nana).

“Normalmente os vermelhos são noturnos e vivem em ambientes de floresta mais fechada e, consequentemente, mais escura. Já os cinzas ocorrem em florestas mais abertas, com mais luz solar, e apresentam hábitos diurnos”, destacou Márcio.

O veado-roxo apresenta altas taxas reprodutivas, porém a fêmea gera apenas um filhote por vez. Ao que tudo indica, a espécie não ocupa florestas sazonalmente inundadas (várzea) na Amazônia, apenas áreas de terra firme.

O animal possui alimentação bastante seletiva. De acordo com Márcio, eles preferem vegetais com menos celulose e melhores índices nutritivos, pois são rapidamente digeridas pelo organismo. “O curioso é que essas plantas costumam ter substâncias tóxicas, justamente para afastar os predadores. Por isso, o fígado dessas espécies é um pouco mais desenvolvido e resistente”.

 

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