Conheça o lobo-guará, escolhido para estampar a cédula de R$ 200

Espécie pode perder mais de 30% de sua população nos próximos 21 anos devido à destruição do Cerrado.

O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), espécie emblemática do Cerrado brasileiro, será também o ícone da nova cédula de R$ 200, anunciada pelo Banco Central no final de julho. Embora seja o maior canídeo da América do Sul, o lobo é tímido, inofensivo e solitário. Com pelagem avermelhada e membros alongados, o animal é considerado um dos mais belos da fauna brasileira.

A espécie ocorre ao longo da América do Sul, desde o Brasil – onde está 90% da população de lobos-guará – até o Uruguai. Além do Cerrado, o animal pode ser encontrado no Pampa, embora a espécie ocorra em densidades muito baixas no bioma, com tamanho populacional inferior a 50 indivíduos adultos.

O lobo também pode ser visto em áreas transição com o Cerrado, preferencialmente em campos abertos e pastagens. Por onde passa, é impossível ser confundido. Em média, ele mede até 130 centímetros de comprimento e seu peso varia entre 20 e 35 quilos.

Mais ativo ao entardecer, o lobo gosta de caçar pequenos vertebrados, como roedores, marsupiais, tatus, aves e répteis. Sua dieta é onívora, portanto também se alimenta de frutos, sendo a fruta-do-lobo a base de sua alimentação, por ser um vermífugo natural. O curioso é que a fruta também depende do lobo para sobreviver.

Depois de passarem por seu sistema digestivo, as sementes da fruta são liberadas intactas pelas fezes do animal. Como o canídeo vive em grandes áreas, de até 115km2, as sementes são levadas de um lugar para o outro e a planta se espalha, garantindo sua sobrevivência.

Parte do estigma de “mau” atribuído ao lobo, se deve ao hábito dele se alimentar, ocasionalmente, de galinhas e alguns animais domésticos, o que gera conflitos com produtores rurais. Porém, a ação só ocorre devido à destruição do habitat da espécie, que restringe sua alimentação natural. 

Reprodução

De hábitos solitários, o lobo só é visto aos pares na época reprodutiva e nos primeiros meses de vida de seus filhotes. O cuidado da prole é compartilhado entre macho e fêmea, embora elas se dediquem por mais tempo a esta tarefa. A partir do terceiro mês, os filhotes já aprendem com a mãe a caçar e são amamentados até o quarto.

Territorialista, a espécie utiliza sua urina e fezes para demarcar território. A vocalização também serve para evidenciar sua presença e auxiliar na comunicação entre casais e filhotes. Suas tocas são localizadas em arbustos densos ou em campos limpos com grama alta, moldada em uma galeria com túneis.

Ameaças

A destruição do Cerrado, em virtude da expansão urbana e agrícola, incêndios e desmatamentos, continua sendo maior ameaça à sobrevivência do lobo-guará. A pouca agressividade e o hábito de andar sozinho, também fazem do canídeo presa fácil para caçadores e vítima frequente de atropelamentos.

Em algumas populações, estima-se que os atropelamentos sejam responsáveis pela morte de um terço e até da metade da produção anual de filhotes. O lobo também sofre com a perseguição de produtores rurais, que o caçam devido à predação de aves domésticas.

Considerando todas as ameaças, o declínio populacional da espécie nos próximos 21 anos pode atingir valores superiores a 30%. Atualmente é considerado "vulnerável" pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção.

 

Fontes:

União Internacional para Conservação da Natureza (UICN)
Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (2018)
Pereira, Saulo & Machado, Felipe & Borges, Daniela & Santos, André & Pereira, Wanderson & Silva, José. (2019). Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus): características gerais, mitológicas e seu conhecimento popular na região noroeste de Minas Gerais. Revista Acadêmica: Ciência Animal.

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