Anta: maior mamífero terrestre da América do Sul está ameaçado de extinção

Essencial para a manutenção dos ecossistemas, anta sofre com desmatamento, perda de habitat, caça e fogo.

 

Considerada o maior mamífero terrestre da América do Sul, a anta brasileira (Tapirus terrestris) necessita de grande quantidade de plantas, frutos e até cascas de árvores para sustentar seus quase 300kg. A dieta herbívora e generalista faz do animal um importante dispersor de sementes, essencial para a manutenção dos ecossistemas. É por isso que as antas são conhecidas como jardineiras das florestas.

Ao se alimentar dos frutos de uma árvore, o animal mastiga apenas a polpa e devolve as sementes quase intactas à terra pelas fezes. Devido ao grande porte, o mamífero circula até 15 quilômetros por dia, distribuindo sementes por onde passa. Ainda consegue processar grãos maiores que não passam pelo trato digestivo de pássaros, morcegos e outros dispersores.

Um estudo mostrou que as antas consomem 58 tipos de frutos de 23 famílias de plantas diferentes apenas na Mata Atlântica brasileira. Como sua dieta varia de acordo com a disponibilidade da região, acredita-se que o número de espécies consumidas pela anta seja muito maior.

Apesar de ser versátil quanto à alimentação, algumas plantas são mais consumidas pela anta. O jerivá, uma palmeira encontrada na Mata Atlântica, é uma das principais fontes de alimento do animal no bioma. No Cerrado, o araticum, é o seu fruto preferido. A noite é quando sai para se alimentar, após passar o dia poupando energia.

A espécie está presente em grande variedade de habitats, com preferência para ambientes florestais associados a fontes de água permanentes. As florestas de palmeiras são consideradas um dos habitats mais importantes para as antas.

De hábitos solitários, o mamífero costuma andar sem companhia ou em pequenos grupos, de até três indivíduos. A característica física mais marcante é o focinho alongado, que possui uma pequena tromba móvel.

Nos adultos a pelagem é marrom e o tamanho do animal varia entre 1,70 e 2,00 metros. Já os filhotes nascem com pelagem acinzentada coberta de manchas brancas que somem até os oito meses de idade.

Ameaça de extinção

Divididas em quatro espécies, as antas estão presentes em 23 países da América do Sul e Central, além da Ásia. No continente americano possui ampla distribuição, com destaque para o Brasil, que abriga a espécie em grande parte de seu território. Apesar de comum no país, a anta tem sofrido diversas pressões nos biomas que ainda habita.

Hoje, pode ser encontrada na Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Amazônia. Originalmente também ocorria na Caatinga, mas atualmente é considerada extinta no bioma. As maiores ameaças ao animal são: desmatamento, fragmentação florestal, avanço das fronteiras agrícolas, atropelamentos em rodovias, contaminação por agrotóxicos, caça e incêndios florestais.

Em 2005, já foi considerada extinta em 14% de sua área de distribuição, que cobria, originalmente, cerca de 13milhões de km². No Brasil, as principais reduções foram registradas nas regiões Nordeste e Sul, enquanto a Amazônia tornou-se o local de maior esperança para as antas.

No Cerrado e na Mata Atlântica a situação da espécie é crítica. No primeiro bioma, a anta sofreu declínio de aproximadamente 67% nos últimos 40 anos, de forma que 80% das populações têm baixa probabilidade de sobrevivência a longo prazo. Nas florestas atlânticas, as populações com menos de 200 indivíduos (70% do total) podem desaparecer em até 33 anos, ou seja, em até três gerações. Estima-se que os indivíduos podem diminuir pela metade nas próximas três décadas.

Por ter ciclo reprodutivo longo, com 13 a 14 meses de gestação e apenas um filhote por ninhada, a anta é muito vulnerável a pressões. Até no Pantanal, onde a perda de habitat é menor, estima-se que 15,5% do bioma seja perdido em 33 anos, levando a drásticas reduções na distribuição da espécie.

 

 Com informações do ICMBio

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