Registro inédito de harpia no Paraná reacende esperança de conservação da espécie

Crédito: Carlos Mario Bran Seguir/Flickr

Ocorrência da ave na América Latina diminuiu quase 50% desde o século XIX.

 

Criticamente ameaçada de extinção em grande parte do Brasil, a harpia (Harpia harpyja) foi fotografada pela primeira vez no Paraná, após passar anos sem ser vista no Estado. Considerada a ave mais forte do planeta e a maior do país, ela depende de florestas densas e preservadas para sobreviver, de modo que o desmatamento e a caça furtiva são as principais ameaças à espécie.

Também conhecida como gavião-real, a ave de rapina é uma exímia caçadora. Seu bico é forte e suas garras são maiores que as de um urso pardo americano. A grossura de suas pernas também é impressionante, tendo a mesma espessura que um punho de um homem adulto.

Originalmente, a ave habitava florestas tropicais do México à Argentina, mas, desde o século XIX, sua distribuição na América Latina diminuiu quase 50%. Hoje, metade de sua população está dispersa pelo Brasil, entre as regiões norte, nordeste (Bahia), centro-oeste, sul e sudeste.

No Paraná, Espirito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina a harpia é classificada como criticamente em perigo. O crescimento populacional lento, aliado à destruição das áreas florestais e ao tráfico de aves silvestres, são responsáveis pelo acentuado declínio populacional da espécie.

O novo registro, feito pelo observador de aves Francisco Hamada, em Coronel Domingos Soares (PR), surpreendeu especialistas, considerando a raridade da ave na Mata Atlântica, sobretudo no sul do país.

Em território brasileiro, o maior refúgio das harpias é na Amazônia, pois no bioma ainda são encontradas extensas áreas florestais e árvores de grande porte, utilizadas para construir ninhos.

Sua presença na região indica que o ambiente está saudável e levanta a hipótese de existir mais indivíduos no local. Por serem solitários, quase não emitirem sons e permanecerem a maior parte do tempo na copa das árvores, os gaviões-reais são extremamente raros e difíceis de encontrar.

Hábitos e características

Por estarem no topo da cadeia alimentar, as harpias desempenham papel ecológico crucial, predando diversos tipos de animais, como preguiças, macacos, tamanduás, araras, tatus e cobras. Ágil e dona de um bote certeiro, a ave é capaz de arrancar preguiças dos troncos das árvores e transportar presas de grande porte em voo.

Mede entre 90 e 105 centímetros e apresenta envergadura de mais de 200cm. A diferença principal entre os sexos é o tamanho: fêmeas são bem maiores e mais pesadas que machos, pesando até nove quilos, enquanto eles pesam aproximadamente quatro kg.

Seus ninhos são construídos nas maiores árvores que encontram, dando preferência para sumaumeiras e castanheiras, de onde observam tudo ao redor. Feito a partir de galhos, o ninho do gavião-real é tão grande quanto o de um tuiuiú. A maior parte dos indivíduos vivem sozinhos ou aos pares. Geralmente, estes animais são monogâmicos e usam o mesmo ninho durante décadas.

Os casais necessitam de grandes áreas para sua manutenção, vivendo em territórios que excedem os 100 quilômetros quadrados. Com longo tempo de vida e baixas taxas reprodutivas, os adultos se reproduzem a cada três anos, de modo que, a cada ninhada, apenas um filhote é criado.

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