Pica-pau martela troncos mais de 20 vezes por segundo

Crédito: Pica-pau-rei (Campephilus robustus) é o maior do Brasil. Crédito: Amaury Pimenta (Flickr)

Força gravitacional que incide sobre a ave a cada concussão é cerca de 12 vezes superior à suportada por humanos.

Presentes no mundo todo, os pica-paus são conhecidos pelo tamborilar incessante sobre o tronco das árvores. Eles conseguem bicar a madeira até 22 vezes por segundo, de modo que, a cada golpe, seu bico sofre uma desaceleração que equivale a mais de mil vezes a força da gravidade. Isso é possível graças às estruturas únicas de seu corpo, que permitem a ave suportar grandes pancadas sem sofrer danos cerebrais.

A força gravitacional que incide sobre os pica-paus a cada concussão é cerca de 12 vezes superior à suportada por humanos. A estrutura óssea que protege seu cérebro, além do bico forte, mas flexível são alguns dos atributos que tornam o animal tão resistente aos choques. 

Entre a mandíbula e o crânio da ave há uma estrutura esponjosa que absorve o impacto das batidas, impedindo o vai e vem do cérebro, o que previne possíveis lesões. Trata-se do hióide, um osso de formação circular que contorna o cérebro e atua como um cinto de proteção na cabeça do animal. 

O corpo dos pica-paus é completamente adaptado ao hábito de bicar troncos. Até seus ouvidos possuem uma membrana mais espessa para conter a pressão. A prática serve para encontrar alimento, para ajudar os indivíduos a se comunicarem, demarcarem território e até atraírem parceiros sexuais.

Enquanto bate na madeira, a ave percorre o tronco das árvores em posição vertical, o que também é bastante curioso. Os pica-paus conseguem ficar nessa posição por causa das patas fortes – que permitem eles se agarrarem aos troncos – e das penas rígidas da cauda. Elas ajudam o animal na escalada e servem de apoio, mantendo o corpo equilibrado.

Alimentação e reprodução

Além de absorver o impacto das batidas, os bicos dos pica-paus agem como uma sonda, em que o animal detecta a presença de comida dentro dos ocos das árvores. Quando encontra uma presa, ele lança sua língua comprida e cheia de farpas na cavidade, apanhando larvas e insetos. Dessa forma, eles também contribuem para a saúde das árvores.

Apesar de ser insetívoro, o animal pode complementar sua dieta com frutas, sementes e ovos de outras aves. Nas mesmas cavidades em que encontram alimento podem estabelecer morada e construir ninhos. Árvores secas e mortas frequentemente viram abrigos para pica-paus.

Os buracos escavados por eles ainda servem de casa para periquitos, araçaris e pequenos mamíferos. Na temporada reprodutiva, algumas espécies realizam diferentes cerimonias de cortejo e de disputa entre machos.

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