Brasil abriga quase 100 espécies de aves de rapina

Caburé-acanelado é discreto e silencioso/Crédito: Helberth Peixoto

Mata Atlântica apresenta maior índice de endemismo, com oito espécies que só ocorrem no bioma

Bico curvo e afiado, garras fortes, excelente visão e audição, além de uma habilidade nata para a caça e para o voo. Estas são algumas características das aves de rapina, representadas por águias, corujas e falcões. O grupo habita quase todos os continentes e a maior variedade de habitats, estando presente em matas tropicais e até regiões montanhosas.

A palavra rapina – de origem latina – significa “roubar com violência”, ato comum entre essas aves, predadoras naturais. A maioria possui garras firmes, que servem para prender o alimento, enquanto o bico resistente é utilizado para dilacerar a pele da presa. A posição frontal dos olhos também é uma adaptação à caça, pois permite uma visão binocular na localização de presas. Estima-se que a resolução visual em águias e falcões é cerca de duas vezes maior em comparação a humanos.

Os rapinantes são divididos em quatro ordens, incluindo a dos urubus, que embora não possuam todas as características das aves de rapina, são classificados como tal. No Brasil ocorrem quase 100 espécies, sendo 49 da ordem Accipitriformes (águias, gaviões e abutres); 21 Falconiformes (falcões e caracarás); 23 Strigiformes (corujas) e seis Cathartiformes (urubus). Junto de outros países neotropicais, o Brasil concentra o maior número de rapinantes do mundo.

Cerca de 30% das espécies possuem ampla distribuição na Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. A região com maior índice de endemismo é o bioma atlântico, com oito espécies que só ocorrem na região, a exemplo do murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) e coruja-listrada (Strix hylophila). Em relação às espécies migratórias, oito vêm para o Brasil, incluindo o gavião-de-asa-larga (Buteo platypterus), que realiza uma das mais longas migrações do mundo.

Identificando rapinantes

Os rapinantes costumam apresentar plumagens que variam entre o branco, preto e cinza até tons terrosos e ferrugíneos. Os de maior porte são adaptados aos voos de longas horas, por isso suas asas são compridas e largas. Tartaranhões (gaviões do gênero Circus), por exemplo, possuem asas compridas e retangulares, o que lhes permite voar a pouca altura e lentamente sobre pântanos.

Corujas possuem hábitos noturnos, por isso é mais fácil encontrá-las depois que o sol se põe. Para viver na noite, elas contam com adaptações na visão e audição aguçada. Uma camada de células atrás da retina permite melhor captação da luz e o maior número de vértebras cervicais faz com que possam girar a cabeça em até 270°. Assim como a visão, a audição é bem desenvolvida. Em ambientes muito escuros, elas detectam as presas pelo som.

No caso dos comedores de carniça, como abutres e urubus, uma característica distintiva é a ausência de penas na cabeça e pescoço.

Dentre todas as espécies de aves de rapina, os falcões do gênero Falco são alguns dos mais fáceis de identificar, principalmente em voo, pois ficam por horas no ar balançando as asas pontiagudas.

Macho e fêmea costumam se distinguir por tamanho e peso. Em gaviões, as fêmeas são geralmente maiores. A diferenciação dos sexos pela cor ocorre apenas em algumas espécies, a exemplo do gavião-do-banhado (Circus buffoni) e quiriquiri (Falco sparverius), que é o menor dos falcões e uma das menores aves de rapina do Brasil. 

A vocalização não é a melhor maneira de se identificar uma ave de rapina, pois a maioria é silenciosa. Quando há vocalização frequente, como ocorre com falcões florestais e a maioria das corujas, os cantos são totalmente distintos, não sendo possível traçar um padrão para todos os rapinantes. Logo, os atributos físicos são as formas mais fáceis de reconhecer esse grupo de aves.

Alimentação

Os hábitos carnívoros desses animais são bem conhecidos, mas há os que também se alimentam de frutos. As presas são diferentes para cada tipo de rapinante, de maneira que artrópodes são mais consumidos por espécies neotropicais. Anfíbios, lagartos e serpentes estão presentes na dieta de mais de 30% dos rapinantes brasileiros.

Eles também se alimentam de peixes e outros animais, mas grande parcela consome pequenos mamíferos e roedores. A disponibilidade de alimentos, em muitos casos, determina a dieta da ave, por isso até insetos podem ser predados por rapinantes.

Aves de rapina costumam utilizar mais de uma estratégia de caça, no entanto, duas delas são empregadas com mais frequência. A primeira é a caça a partir de poleiros, na qual os indivíduos ficam à espreita em um ponto mais alto, voando em direção à presa para dar o bote. A outra é a caça em voo, em que os animais ficam voando até encontrarem uma presa, tanto no ar, quanto no solo.

 

Com informações do Blog Aves de Rapina Brasil e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) 

 

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