Jacaré-anão: um dos menores crocodilos do mundo

Crédito: Quentin Uriot/Flickr

O réptil tem papel crucial na manutenção dos cursos d’água e no controle de espécies

Considerado um dos menores crocodilianos do mundo, o jacaré-anão ou jacaré-paguá (Paleosuchus palpebrosus) se difere completamente de seus primos de grande porte, apresentando altura média de 150 centímetros em machos e 120 em fêmeas. Presente em dez países da América do Sul é no Brasil onde está seu maior contingente populacional, dividido por todos os biomas, com exceção dos pampas.

Natural de águas doces, o animal possui alta resistência a baixas temperaturas, sendo comum vê-lo em cursos d’água limpos, frios e com grandes corredeiras. Na Amazônia é encontrado principalmente em zonas florestais alagadas próximas a grandes rios e lagos. Já no Pantanal, onde sua distribuição restringe-se ao entorno do bioma, é muito comum em cabeceiras de rios e riachos com substrato rochoso.

Sua dieta variada contempla peixes, caranguejos, moluscos e invertebrados terrestres, como aranhas e insetos. Também pode se alimentar de pequenos mamíferos, aves, outros répteis e anuros de menor porte. É responsável por manter o equilíbrio no meio aquático, pois evita que o crescimento desordenado de várias espécies.

Estudos mostram que os aspectos reprodutivos do jacaré-anão variam de local para local. Na Amazônia colombiana, o período de postura de ovos vai de novembro a março, enquanto na parte brasileira do bioma ninhos já foram encontrados no mês de outubro. Geralmente põe grande número de ovos, excedendo as 20 unidades. Protetoras, as fêmeas podem permanecer com os filhotes até os 21 meses de vida.

Ameaças

A degradação dos ambientes naturais é a maior ameaça enfrentada pelo réptil. No Pantanal sua situação é delicada, pois sofre com a mineração, desmatamento, erosão, poluição, urbanização, construção de estradas e conflitos com a atividade pesqueira.

A instalação de usinas hidrelétricas, inundando permanentemente áreas florestadas e pequenos riachos, bem como a construção de canais de drenagem e lagos para irrigação de arroz, também podem afetar o regime hídrico e, consequentemente, populações do crocodilo. A atividade agropecuária é outro fator que contribui na degradação dos habitats da espécie, por causa da retirada de matas ciliares para implantação de pastagens.

Está classificado como “menos preocupante” na avaliação da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), mas especialistas ressaltam que o jacaré-paguá é um dos crocodilianos menos conhecidos pela ciência, portanto há muitas lacunas sobre sua ecologia e população. Por esse mesmo motivo, também há grande dificuldade de conservação da espécie, vital na manutenção de rios, riachos, nascentes e veredas.

 

Fonte: ICMBio

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