Presença do cachorro-vinagre reforça importância da conservação ambiental no país
Espécie vulnerável é registrada em unidades de conservação da Amazônia e da Mata Atlântica

Único, raro e fascinante, o Cachorro-Vinagre, considerado um dos mamíferos mais peculiares da fauna brasileira, foi registrado em imagens raras captadas por fotógrafos da natureza durante uma visita ao Parque Nacional do Tumucumaque, localizado no estado do Amapá, na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa e o Suriname. O animal chama a atenção por sua aparência incomum e por características físicas e comportamentais exclusivas da espécie.
Visivelmente distinto de outros canídeos, o cachorro-vinagre pode pesar até 7 quilos, possui corpo alongado, pernas curtas e orelhas arredondadas. A espécie apresenta hábitos diurnos, vive em bandos que podem reunir até 12 indivíduos e se comunica por meio de vocalizações específicas. Além disso, o mamífero possui excelente habilidade aquática, alimentação carnívora e comportamento altamente sociável.
Na Mata Atlântica de Minas Gerais, o registro mais recente da espécie ocorreu no Parque Estadual do Rio Doce (Perd), onde o animal foi visto por monitoramento com armadilhas fotográficas, nas proximidades da Lagoa dos Patos, um dos lagos do parque. Isso representa uma ampliação significativa da distribuição geográfica da espécie nesse bioma.
“O relato desta espécie ameaçada próximo aos limites do parque aponta que tal espécie provavelmente se desloca pelos remanescentes de vegetação da zona de amortecimento da unidade de conservação, considerando que este canídeo possui extensa área de vida”, afirma Ravi Mariano, doutor em ciências florestais e técnico da Amda. “Além disso, a localização apontada mostra que o Cachorro-Vinagre pode ser impactado por atividades humanas que ocorrem na zona de amortecimento, como a silvicultura”, acrescenta Ravi.
A presença do cachorro-vinagre reforça a importância do Perd na conservação de espécies raras, ao oferecer um habitat de alta qualidade que favorece tanto a manutenção da biodiversidade quanto o avanço da pesquisa científica. Atualmente, a espécie é classificada como “Vulnerável” pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e corre sério risco de extinção em razão da degradação do habitat natural e da contaminação por doenças, como a raiva.
*Com informações do jornal Estado de Minas e do artigo “A espécie que faltava”, publicado pela Cambridge University Press.