Agulha no palheiro: registro raro de sauá albino acontece no Parque Estadual do Rio Doce
Espécie “quase ameaçada” é registrada durante monitoramento ambiental
17 de dezembro de 2025
Um registro inusitado chamou a atenção de pesquisadores no Parque Estadual do Rio Doce, em Minas Gerais. O primeiro registro conhecido de um sauá albino no mundo, que aconteceu neste mês, foi captado por drones equipados com câmeras coloridas e termais durante uma ação de monitoramento realizada por pesquisadores do projeto Primatas Perdidos, voltado ao acompanhamento da fauna de primatas na unidade de conservação.
O mamífero, também conhecido como guigó, apresenta pelagem branca e foi registrado ao lado de outros indivíduos não albinos da mesma espécie. Os sauás são animais diurnos e sociáveis, geralmente observados em grupos familiares. A espécie é conhecida pela cauda avermelhada, que contrasta com o corpo acinzentado, e por sua alimentação frugívora, desempenhando papel fundamental na dispersão de sementes e na regeneração natural das florestas.
Segundo os pesquisadores, o aparecimento do animal é ao mesmo tempo simbólico e preocupante. O registro pode indicar efeitos do isolamento populacional, provocado pela expansão urbana e pela degradação ambiental no entorno do parque ao longo dos anos. Por necessitarem de grandes áreas preservadas, fatores como redução de habitat, poluição atmosférica e uso intensivo de agrotóxicos podem favorecer o surgimento de anomalias genéticas, como o albinismo.
Atualmente, a espécie é classificada como “quase ameaçada” pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).