Notícias

Clamídia está dizimando populações de coalas

Estimativa é que restam apenas 43 mil indivíduos, dos 10 milhões existentes em 1790

05 de Julho de 2018
Foto Projeto
O principal alimento dos coalas são as folhas de eucalipto.

Destruição de habitat, incêndios florestais, mudanças climáticas, atropelamentos e ataques de cães não são os únicos fatores que colocam em risco a sobrevivência do marsupial mais popular da Austrália, o coala. Nas últimas décadas, suas populações foram devastadas pela clamídia, uma doença sexualmente transmissível. A ONG Australian Koala Foundation estima que restam apenas 43 mil indivíduos em estado selvagem, dos 10 milhões existentes antes da colonização europeia, por volta de 1790. O coala está classificado como vulnerável à extinção pela União Internacional para Conservação da Natureza.

A bactéria causadora da doença nos coalas é um tipo diferente da que atinge os humanos. A transmissão também é distinta, visto que não é apenas sexual. Filhotes, por exemplo, podem ser contaminados pela mãe durante a amamentação, processo crucial para proteção imunológica e sobrevivência dos indivíduos.

No mamífero, a clamídia pode causar infecção urinária, infertilidade, tumores, cegueira e até a morte. Acredita-se que ovelhas e bovinos trazidos pelos colonizadores tenham sido os responsáveis pela contaminação do animal, que é endêmico da Austrália.

A boa notícia é que cientistas estão estudando o material genético dos coalas para desenvolverem vacinas contra doenças infecciosas como a clamídia. Em estudo recentemente publicado na revista Nature Genetics, pesquisadores indicaram que o genoma do animal é o mais completo já sequenciado entre as 300 espécies de marsupiais existentes, contendo 20 mil genes.

De acordo com o levantamento, mais de mil animais são encaminhados anualmente a hospitais dos estados de Queensland e New South Wales. Destes, 40% estão com clamídia em estágio avançado, o que impossibilita a reabilitação. É muito difícil o diagnóstico da doença em seu estado inicial, pois, a princípio, ela pode ser assintomática, ou seja, o animal não apresenta sintomas.

Para os pesquisadores, um dos principais desafios tem sido a falta de conhecimento sobre a resposta imune do coala à doença. O fato das populações terem sido separadas geograficamente por causa da urbanização também faz com que alguns espécimes reajam de maneira diferente às patologias. Nesse sentido, a pesquisa busca preencher lacunas sobre as características do animal e fornecer dados para ações de conservação.

"O genoma fornece um trampolim para a conservação desta espécie australiana biologicamente única e icônica", destacou o estudo.

A premiê do Estado de New South Wales, Gladys Berejiklian, anunciou investimento de US$ 34 milhões para criação de zonas de proteção aos coalas e programas de pesquisa.