Extinção das abelhas é mais uma grave ameaça à sobrevivência humana

Roberto Carlos Alves na Terça Ambiental de outubro / Crédito: Amda

Pesticidas, herbicidas, perda de habitat e mudanças climáticas ameaçam sobrevivência desses insetos essenciais para o equilíbrio ambiental e manutenção da vida humana

No supermercado, três quartos dos alimentos cultivados que estão nas gôndolas dependem substancialmente da polinização das abelhas. Contudo, pesticidas, herbicidas, perda de habitat e mudanças climáticas, entre outros fatores, ameaçam a sobrevivência desses insetos essenciais para o equilíbrio ambiental e manutenção da vida humana. As afirmações foram ditas por Roberto Carlos Alves, Mestre em Gestão da Produção de Mel e Doutorando em Ciência Animal (Seleção de Linhagens de Abelhas), na última Terça Ambiental deste ano, que ocorreu nesta terça-feira (02).

As abelhas integram a ordem Hymenoptera, junto com formigas e vespas. Possuem língua longa, pelos ramificados e plumosos, se alimentam de pólen e néctar e comunicam-se através de danças e feromônios. Seus pelos são um sistema de orientação que funcionam como uma espécie de bússola, que as ajudam a se manter no curso certo. Os favos são construídos de forma hexagonal em perfeição matemática.

A colônia é dividida em castas: operárias, zangões e abelha rainha. As operárias são responsáveis por diversas funções, como a construção do favo, manipulação dos alimentos e limpeza da célula onde nascem. Também atuam como cuidadoras de crias novas e da rainha.

Na época de reprodução, os zangões se aglomeram em determinados locais, a rainha os procura, solta feromônios e aí começa a corrida pelo acasalamento. Ela copula com oito a 14 zangões. Após o acasalamento, os órgãos genitais do macho se desprendem de seu corpo e eles morrem. O pênis do último zangão permanece na abelha rainha e funciona como uma espécie de tampão para evitar perda de sêmen. Depois ele é retirado na colmeia. Outra curiosidade é que as abelhas bebem água e podem ficar doentes se ela estiver poluída.

Segundo Alves, nos séculos XIX e XX, a partir da Revolução Industrial, a humanidade produziu uma expansão populacional, tecnológica e econômica em diversas regiões do planeta, o que gerou imensa pressão sobre a demanda por alimentos, fibras, energia e serviços ambientais. O espaço geográfico ocupado naturalmente pelas abelhas foi reduzido para abrir espaço para ocupação humana. Esta redução foi acompanhada por fatores como erosão dos solos, assoreamento e poluição de nascentes e cursos d'água, redução da biodiversidade e incêndios. Ao mesmo tempo, aumentou a pressão pelo aumento de produtividade das abelhas.

Alves elencou diversos fatores que contribuem para desaparecimento das abelhas, como pesticidas, herbicidas, viroses, competição com abelhas nativas, perda de habitats, fonte de água contaminada e mudanças climáticas. Não existe uma previsão correta, mas de acordo com o palestrante, já se fala que se as abelhas forem extintas, em menos de quatro anos o ser humano também se extingue.

Para Alves, a preservação é mais do que necessária, é urgente. "O produtor de carvão olha para uma mata e calcula quantos metros de carvão ela dá. O produtor de gado olha praquela área e imagina quantas vacas pode colocar ali ao se cortar aquela floresta e plantar capim. O que nós precisamos é ter um olhar plural e gratidão pela mãe natureza", concluiu.

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