Brasil possui maior biodiversidade de árvores do mundo

A araucária possui casca grossa, de até 10 centímetros de espessura.

Das 8.715 espécies existente no país, 2.113 estão ameaçadas de extinção

Segundo a Botanical Gardens Conservation International (BGCI), instituição que une jardins botânicos por todo o mundo, o Brasil é o país com maior diversidade de árvores, abrigando 8.715 variedades, cerca de 14% de todas as espécies encontradas no planeta. Entretanto, tamanha riqueza corre risco de desaparecer. A Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção classificou 2.113 espécies como vulneráveis, em perigo ou criticamente em perigo de extinção.

De acordo com o levantamento, realizado em 2013 (o último disponível), o ritmo de extinção é provavelmente bem mais acelerado que o ritmo da ciência na identificação e descrição de novas espécies. Isso dificulta a conservação e favorece a ideia de que o número de espécies ameaçadas esteja subestimado. Um exemplo disso é o desconhecimento de 10 a 20% das atuais espécies de angiospermas.

Ameaça aos biomas

A perda de habitat, causada principalmente pelo desmatamento, é apontada como a principal causa da extinção da flora. Somente na Amazônia, entre 1996 e 2005, o Brasil desmatou 19.500 km2 por ano.

A queda de 36% no desmatamento entre 2005 e 2009 só foi possível graças à rede de áreas protegidas que abrangem mais de 45% da Amazônia brasileira. “No entanto, as estimativas de extinção de espécies de plantas na Amazônia vão de 5% a 9% até 2050, com redução de habitat de 12% a 24%”, indicou o Livro Vermelho da Flora do Brasil.

Na Mata Atlântica, um dos biomas mais afetados por projetos de desenvolvimento e infraestrutura, estima-se que a cobertura vegetal atual corresponde de 11 a 16% da original. Espécies como pau-brasil, pequi, araucária, canela e peroba são exploradas desde a colonização.

A conservação dos pampas, na porção sul do país, fica mais difícil com as espécies invasoras exóticas, que representam uma ameaça maior que em outros biomas. No Cerrado, o plantio de gramíneas exóticas – de maior valor comercial – invade áreas do bioma, competindo com espécies nativas e facilitando a propagação de incêndios florestais.

A agropecuária no Cerrado merece atenção especial, pois é o fator que mais influencia na perda da cobertura vegetal e fragmentação de habitats naturais, acarretando perdas de biodiversidade e erosão dos solos.

As florestas da Caatinga foram muito exploradas para a extração de madeira e desenvolvimento da pecuária, fazendo a vegetação arbórea quase desaparecer. No bioma, a desertificação – intensificada pela agropecuária e retirada insustentável de madeira para produção de lenha e carvão – é uma grande ameaça à biodiversidade.

Nas planícies inundadas do Pantanal, as espécies da flora sofrem, principalmente, com a agricultura e a pecuária. O turismo insustentável também representa uma ameaça ao bioma, já que em algumas localidades há incentivo à caça e pesca ilegal, afetando toda cadeia alimentar.

Árvores ameaçadas

As diversas pressões sobre os biomas têm colocado em risco a sobrevivência de diversas espécies de árvores. Saiba quais estão entre as mais ameaçadas e inclusas na Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção:

  • Castanheira-do-Brasil (Bertholletia excelsa)

RISCO DE EXTINÇÃO: Vulnerável (VU)

DISTRIBUIÇÃO: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.

Embora seja protegida por lei, a espécie é altamente cobiçada por suas sementes, as castanhas, comuns na alimentação. É uma das árvores mais altas da Amazônia, medindo entre 30 e 50 metros. A degradação das florestas dificulta especialmente sua vida, pois suas flores só são polinizadas por insetos específicos, atraídos por orquídeas.

  • Garapeira (Apuleia leiocarpa)

RISCO DE EXTINÇÃO: Vulnerável (VU)

DISTRIBUIÇÃO: todos os biomas

Espécie amplamente utilizada na construção civil. Estima-se que em 100 anos a população tenha sofrido uma redução de pelo menos 30%. Possui madeira levemente amarelada e pesada. Sua altura varia de 25 a 35 metros.

  • Bicuíba (Virola bicuhyba)

RISCO DE EXTINÇÃO: Em perigo (EN)

DISTRIBUIÇÃO: Mata Atlântica e Pampa

Endêmica do Brasil, a espécie é utilizada na construção civil, medicina popular e outros setores. Ela é vital nas florestas em que ocorre, pois serve de alimento para grande variedade de pássaros. A espécie sofre principalmente com o extrativismo e a perda de habitat. Possui tom bege-claro, levemente rosado e copa larga.

  • Mogno (Swietenia macrophylla King)

RISCO DE EXTINÇÃO: Vulnerável (VU)

DISTRIBUIÇÃO:  Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.

O mogno possui uma das madeiras mais exploradas e valiosas do Brasil, empregada na fabricação de móveis e assoalhos. Apresenta baixa densidade populacional e ocorre em um dos locais mais desmatados da Amazônia brasileira. A árvore possui crescimento rápido e é conhecida por sua coloração marrom-avermelhada.

  • Cedro-rosa (Cedrela fissilis)

RISCO DE EXTINÇÃO: Vulnerável (VU)

DISTRIBUIÇÃO: todos os biomas

Além da exploração, a espécie sofre com a perda de habitat. A árvore possui brilho intenso e sua madeira é leve e macia, sendo bastante utilizada na marcenaria. Pode chegar até 30 metros de altura e seu fruto, quando se abre, dá origem a uma bela flor de madeira.

  • Araucária (Araucaria angustifólia)

RISCO DE EXTINÇÃO: Em perigo (EN)

DISTRIBUIÇÃO: Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.

Estima-se que o desmatamento das florestas com araucária é superior a 80%. Apesar de protegida por lei, sofre com o corte ilegal, presença de animais exóticos e construção de usinas hidrelétricas, especialmente na região sul. Possui um ciclo de vida longo e lento: vive por até 300 anos e suas sementes demoram quatro anos para amadurecer. Pode chegar a até 50 metros de altura.

  • Cerejeira (Amburana acreana)

RISCO DE EXTINÇÃO: Vulnerável (VU)

DISTRIBUIÇÃO: Amazônia

A espécie tem madeira nobre, utilizada na fabricação de móveis de luxo. Também é empregada na medicina popular. Atinge até 40 metros de altura.

  • Braúna (Melanoxylon brauna)

RISCO DE EXTINÇÃO: Vulnerável (VU)

DISTRIBUIÇÃO: Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.

Apesar de considerada abundante em algumas regiões, a espécie só cresce em locais específicos. É uma das madeiras mais apreciadas da Mata Atlântica por ser dura e resistente. Alcança de 15 a 20 metros de altura e possui coloração castanha, que escurece a medida que envelhece.

  • Jequitibá-rosa (Cariniana legalis)

RISCO DE EXTINÇÃO: Em perigo (EN)

DISTRIBUIÇÃO: Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.

Considerada a maior árvore da Mata Atlântica, ultrapassando os 30 metros de altura, o jequitibá-rosa pode viver até 500 anos. Está ameaça de extinção devido ao extrativismo e degradação de seu habitat. Sua madeira é utilizada na fabricação de móveis, papel e estopa, entre outros materiais.

  • Canela-preta (Ocotea catharinensis)

RISCO DE EXTINÇÃO:  Vulnerável (VU)

DISTRIBUIÇÃO:  Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.

Comum nos topos e morros da Mata Atlântica, a árvore possui madeira de alta qualidade, empregada na construção de assoalhos. A exploração intensa e expansão agrícola ocasionaram a fragmentação de seu habitat e a perda de espécimes. A árvore pode viver até 300 anos.

 

 

Fonte: Livro Vermelho da Flora do Brasil

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