Fruta-de-lobo se adapta facilmente a ambientes hostis

Forma, tamanho e cor da planta pode variar de acordo com o animal polinizador. Crédito: Ambientalista e fotógrafo amador (Flickr)

Ela se desenvolve mesmo em solo ácido e pobre em nutrientes, clima árido, amplos períodos de seca e ciclos anuais de incêndios florestais

 

Com ampla distribuição no Brasil, a lobeira (Solanum lycocarpum) ou fruta-de-lobo é uma planta que se adapta com maestria aos ambientes hostis. Ela se desenvolve mesmo em condições ambientais desfavoráveis, como solo ácido e pobre em nutrientes, clima árido, amplos períodos de seca e ciclos anuais de incêndios florestais.

A origem de seu nome vem do seu principal consumidor: o lobo guará (Chrysocyon brachyurus). Cerca de 50% de sua alimentação é composta pela planta: ela funciona como vermífugo natural, além de ser uma das únicas sobreviventes nos períodos secos.

Considerado o maior canídeo da América do Sul, o lobo-guará percorre até 40 quilômetros em suas caminhadas noturnas, dispersando sementes e transportando os genes da planta em diferentes regiões. Além do lobo, morcegos e pequenos mamíferos também se alimentam do fruto da lobeira.

Já a polinização da planta é realizada, na maior parte das vezes, por abelhas de grande porte do gênero Xylocopo. Seu período de florada compreende o ano inteiro, mas suas flores ficam mais evidentes na estação chuvosa. Dentre as características da espécie estão o caule tortuoso e aveludado, bem como as pétalas azuis, levemente arroxeadas e unidas entre si.

É muito comum vê-la enfeitando pastagens, margens de estrada e demais zonas degradadas, porém é natural de vegetações do tipo campo sujo, cerrado e cerradão. Pertencente à família das Solanaceae  – a mesma da batata e berinjela –, é classificada como um pequeno arbusto, medindo entre três e quatro metros.

Fruto

Com aparência semelhante a do tomate, o fruto da lobeira se difere por permanecer verde por fora ou levemente amarelado quando maduro. Eles demoram até dois meses para madurar e, quando estão prontos para consumo, caem no chão, facilitando sua dispersão no ambiente.

Comunidades tradicionais do Cerrado e outros biomas de ocorrência da espécie utilizam a polpa de seu fruto na alimentação e tratamento de doenças. Na culinária são feitos doces, geleias e massas. Na tradicional marmelada, o marmelo pode ser substituído pela fruta-de-lobo para um prato mais nutritivo e com sabor mais intenso.

É comum os frutos serem utilizados na fabricação de xarope contra asma e polvilho contra diabetes. Sua raiz, na forma de chá, também é aproveitada para combater hepatite.

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