Especial Amda 40 anos: Marcelo Freitas

 

Em agosto a Amda completou 40 anos de fundação. O que não faltam são histórias para ilustrar quatro décadas de lutas emblemáticas pela proteção do meio ambiente. Por isso, convidamos algumas pessoas que marcaram a história da organização. Nesta semana conversamos com Marcelo Freitas, jornalista. Ele já integrou a equipe de comunicação da Amda e atualmente segue como membro ativo do conselho consultivo da organização.

Amda - Como começou seu envolvimento com a Amda? Você atuou diretamente com a instituição? Conte-nos um pouco da sua história com a organização.

Marcelo Freitas - Conheci a Amda pouco depois de sua fundação, no início dos anos de 1980, a partir de uma reportagem de jornal e da campanha em Defesa da Amazônia. Desde então, sempre participei de suas atividades, em uma determinada parte desse tempo, na área de comunicação, como responsável pela edição do jornal “Ambiente Hoje”. Ao mesmo tempo, sempre fui do conselho da entidade. Isso significa que fui parte ativa na tomada de decisões estratégicas da Amda ao longo de sua existência.

Amda - Para você, qual é a maior conquista da instituição?

M.F - São várias as conquistas. A principal delas, a meu ver, foi sua ação no sentido de influenciar na mudança de postura em relação à preservação do meio ambiente por parte do poder público e também do setor privado. Especificamente no caso do poder público, esse ganho se deu pela defesa que a entidade sempre fez de se buscar um modelo de atuação do estado que resultasse em avanços. Nesse sentido, é importante ressaltar a presença da entidade na mobilização que resultou na criação, nos anos de 1990, da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a Semad, bem como a postura crítica adotada nos últimos 15 anos, diante do enfraquecimento do Copam [Conselho Estadual de Política Ambiental]. Nesse período de quase meio século, a Amda executou, em sintonia com a realidade de seu tempo, o apoio e a crítica à ação do Estado, quando estas se fizeram necessárias e imprescindíveis aos avanços. Com relação às empresas privadas, o mérito da Amda foi o de ter sido extremamente crítica em relação aos maiores degradadores do meio ambiente no Estado. Isso se deu por meio da Lista Suja, que considero um dos mais poderosos instrumentos de educação ambiental surgidos no país, na medida em que obrigou as empresas e órgãos públicos que operavam à revelia da lei, a ela se adequarem.

Amda - E qual é o maior desafio atualmente?

M.F - Considero que o maior desafio, não só da Amda, mas de todas as entidades ambientalistas do país, é o de lutar contra o retrocesso que vem sendo patrocinado por congressistas que insistem em mudar, para pior, as principais leis que regem a defesa do meio ambiente no país. Atualmente, se conseguirmos pelo menos estancar o retrocesso, já é um avanço.

Amda - Conte-nos alguma luta da entidade que você participou e marcou sua caminhada.

M.F - A campanha mais marcante de que participei foi a da definição das empresas e órgãos públicos que, anualmente, fariam parte da Lista Suja. Era bom acompanhar todo o processo, que era extremamente democrático, pois os denunciados eram convidados a se reunirem com a Amda com o objetivo de mostrar o que estavam fazendo para corrigir suas deficiências na área ambiental. Muitos dos que estavam na pré-lista conseguiam convencer a entidade da sinceridade de seus propósitos. A mudança de postura das empresas e órgãos públicos, quando denunciados, era real.

Amda - Neste aniversário de 40 anos, o que você deseja para a Amda?

M.F - Que continue nessa caminhada por outros 40 anos. Ou mais.

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