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Brasil lidera, de novo, ranking mundial de mortes de ambientalistas

Das 207 mortes, 57 aconteceram no país

25 de Julho de 2018
Foto Projeto
Toras apreendidas pelo Ibama no entorno da Terra Indígena Pirititi, em Roraima / Crédito: divulgação

Mais uma vez o Brasil lidera o ranking de mortes de ambientalistas. Entre os 207 assassinatos do ano passado - novo recorde -, 57 aconteceram no país, oito a mais que em 2016. Segundo a Global Witness, 2017 foi o ano mais violento desde que o estudo começou, em 2002, com média de quatro mortes por semana.

Desde o início dos levantamentos o Brasil é campeão. Para a Global Witness, o país tornou-se o mais perigoso para atuar como defensor da terra e do meio ambiente. "Infelizmente, o Brasil sempre esteve no topo da lista. Se olharmos para as estatísticas per capita, o país está geralmente entre os cinco primeiros. Não há dúvida de que o país é um dos países mais perigosos do mundo para defender o meio ambiente, a terra e especialmente a região amazônica", afirmou Ben Leather, um dos autores do estudo.

O levantamento aponta que o "agronegócio foi a indústria mais sangrenta", com pelo menos 46 assassinatos no mundo ligados ao setor, comparado aos 23 registrados no último ano. Segundo o estudo, o aumento da violência envolvendo o agronegócio, especialmente no Brasil, se deve ao "poderoso lobby" que utiliza seu poder político para aprovar ou mudar leis e enfraquecer a legislação existente.

"Vemos um aumento gradual da violência e ameaças contra defensores quando estes se opõem a projetos de agricultura em grande escala. E, no Brasil, o que ocorre é emblemático, pondo em rota de colisão o lobby e as comunidades locais que não querem que suas terras sejam engolidas pela agricultura de grande porte. Esta tem sido a tendência no Brasil, o que só aumenta os conflitos com as comunidades que querem defender seus direitos", argumentou Leather.

A Global Witness critica a atuação da bancada ruralista no Congresso Nacional e seus laços com o presidente Michel Temer. Ao invés de tomar medidas para reprimir os ataques, os poderes legislativo e executivo têm atuado de forma a "enfraquecer as leis e instituições destinadas a proteger os direitos à terra e povos indígenas", ao mesmo tempo que ambos têm "facilitado as grandes empresas a acelerar sua exploração de ecossistemas frágeis".

Esta é a primeira vez que o agronegócio ultrapassa a mineração como setor mais associado a ataques. Os homicídios ligados à mineração aumentaram de 33 para 40 em relação ao ano passado, e as mortes associadas à exploração madeireira se mantiveram constantes, com 23 casos.

A ONG recomenda que os crimes contra defensores ambientais sejam "federalizados", isto é, deixem de ser investigados no âmbito local e sejam transferidos para as mãos de promotores federais que, segundo a instituição, poderão garantir mais "imparcialidade, criar um ambiente mais seguro para as testemunhas e reduzir a impunidade".