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Projeto inédito no país transforma lixo em energia no sul de Minas Gerais

Expectativa é que energia seja transmitida pela rede da Cemig

10 de Maio de 2018
Foto Projeto
Planta do empreendimento / Crédito: Furnas

Estão a todo vapor as obras da iniciativa que irá converter lixo em energia elétrica em Boa Esperança, no sul de Minas Gerais. O intuito é reaproveitar as 40 toneladas de resíduos sólidos produzidas diariamente pela cidade, além de adequar o aterro sanitário municipal à legislação vigente, eliminando a contaminação do solo e lençóis freáticos pelo chorume produzido pelos resíduos. A primeira Usina Termoquímica de Geração de Energia do país terá capacidade para produzir um megawatt-hora (MWh) de energia, cerca de 25% da demanda do município.

O lixo passará por etapas de separação de metais, trituração e secagem. Esses processos darão origem ao Combustível Derivado de Resíduo (CDR), que ao passar por um reator termoquímico dará origem a um gás. Este, por sua vez, será responsável por gerar vapor e produzir energia elétrica. Trata-se de um processo termoquímico que ocasiona a quebra química dos resíduos. Por não haver oxigênio, não há queima.

Para Nelson de Araújo dos Santos, gerente de pesquisa e desenvolvimento de Furnas, empresa realizadora do projeto, a tecnologia empregada é bastante diferente da incineração. "As emissões atmosféricas são muito baixas, sendo uma tecnologia de fácil compreensão, permitindo a destinação completa dos resíduos sólidos urbanos de uma maneira geral", explicou.

O projeto

A iniciativa é fruto de parceria entre a subsidiária da Eletrobrás, Furnas, a Carbogas Energia e a prefeitura de Boa Esperança. A Carbogas é a desenvolvedora da tecnologia e o executivo municipal cedeu uma área de quase 8 mil metros para instalação da usina. Com investimento de R$ 32 milhões, o projeto já está em sua segunda fase: as obras. A primeira etapa, de estudos e testes, foi realizada em uma planta experimental em Mauá, no interior de São Paulo.

Na segunda fase também será avaliada a viabilidade comercial e ambiental, para atestar os impactos ao ambiente e os custos da produção. A princípio, a energia será utilizada apenas em prédios públicos do município. Se o projeto obtiver êxito em todas as etapas, a expectativa é que a energia seja transmitida pela rede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).