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União Europeia estende proibição de pesticidas nocivos às abelhas

Da classe dos neonicotinóides, substâncias estão atreladas à morte de abelhas em todo o mundo

11 de Maio de 2018
Foto Projeto
Em todo o mundo há cerca de 20 mil espécies de abelhas.

A União Europeia prorrogou a proibição do uso de três pesticidas neonicotinóides, nocivos às abelhas, em cultivos abertos. Em estufas, o uso só será permitido onde não haja exposição aos insetos. França, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Itália e Holanda estão dentre os 16 estados-membros favoráveis à medida. Dinamarca, Romênia, República Tcheca e Hungria votaram contra.

Proposta pela Comissão Europeia, instituição reguladora do grupo, a expectativa é que a determinação entre em vigor até o final deste ano. Desde 2013 as substâncias clotianidina, imidacloprid e tiametoxam estavam suspensas por resolução da Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos (Efsa, na sigla em inglês) após o uso ser vinculado à morte de abelhas.

A proibição se aplicava a cultivos como o de canola, girassol e milho. Mesmo com os protestos da Syngenta e Bayer, grandes fabricantes de pesticidas, a agência confirmou seu parecer no início deste ano. Ao todo, a Efsa analisou 1.500 artigos científicos sobre os efeitos das substâncias em abelhas.

Esses compostos, utilizados para revestir sementes e proteger plantas de pragas, contaminam o pólen e néctar do vegetal, por isso ameaçam as abelhas. As substâncias atingem seu sistema nervoso e digestório, desestabilizando voos e deslocamentos. Quando não morrem intoxicadas, elas perdem o caminho de volta, deixando a colmeia vazia. Em casos mais graves, não conseguem se alimentar e morrem por inanição.
No Brasil, o grupo dos neonicotinóides, derivados da nicotina, ainda é liberado e utilizado em larga escala. 

Estudos comprovam riscos

Pesquisadores afirmam em estudos publicados na revista Science no ano passado que os agrotóxicos neonicotinóides prejudicam a reprodução e a vida das abelhas. Na Hungria, ao serem expostas ao produto, o número de colônias caiu 24% na primavera seguinte. Na Alemanha, o pesticida foi responsável por prejudicar a reprodução dos animais.

No Canadá não foi diferente: pesquisadores atestaram que as abelhas expostas ao agrotóxico tinham menor expectativa de vida e suas colônias eram mais propensas a perder as rainhas (reprodutoras). Nos Estados Unidos, o uso intensivo dos neonicotinóides deixou, pela primeira vez, uma espécie de abelha ameaçada de extinção.

Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, houve uma redução de 3,5 milhões de colmeias nos Estados Unidos entre 1950 e 2007. O alerta para conservação é essencial. Afinal, em um mundo sem abelhas, a humanidade não ficará apenas sem mel, cera e flores; correrá o risco de ficar sem comida. Segundo a organização WWF-Brasil, os insetos são responsáveis pela polinização de mais de 70 das 100 espécies vegetais que fornecem 90% dos alimentos consumidos no planeta.

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