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Branqueamento da Grande Barreira de Corais é cinco vezes maior que em 1980

Intervalo médio entre ocorrências era de 25 a 30 anos; hoje é de seis. Ecossistema também está ameaçado por espécie de estrela-do-mar predadora.

12 de Janeiro de 2018
Foto Projeto
À esquerda um coral de fogo saudável e colorido, à direita um coral de fogo branqueado e doente / Crédito: XL Catlin Seaview Survey

Estudo publicado na revista Science deste mês aponta que o branqueamento dos corais, provocado pela elevação da temperatura nos mares, é cinco vezes mais intenso do que há 40 anos. Nos anos 80, o intervalo médio entre ocorrências era de 25 a 30 anos; hoje esse período diminuiu para seis anos. Um dos locais mais afetados é a Grande Barreira de Corais australiana, o maior conjunto de recifes do mundo, considerada Patrimônio Mundial da Unesco. O estudo analisou registros de 1980 a 2016, provenientes de 100 locais diferentes, em 54 países.

O branqueamento ocorre quando as zooxantelas, algas microscópicas que vivem em simbiose com o coral, são expulsas devido ao aquecimento da água. Responsáveis por dar cor e também alimentar, sem a presença dessas plantas o animal se torna frágil e suscetível a doenças que podem levá-lo a morte. De acordo com o levantamento, 40% das ocorrências recentes, de 2015 e 2016, são consideradas graves.

Centenas de quilômetros no norte da Grande Barreira, local de águas cristalinas, já foram classificadas como mortas devido à grande elevação de temperatura em 2016. Até agora já foram registrados quatro branqueamentos em massa: em 1998, 2002, 2016 e, por último, em 2017. Os corais necessitam de águas mornas para sobreviverem. Bastam 2ºC acima do tolerado para eles serem destruídos. Na Austrália, o El Niño - fenômeno em que a temperatura das águas do pacífico sobe - tem sido apontado como grande responsável pela liquidação dos corais.

"O clima aqueceu rapidamente nos últimos 50 anos, primeiro tornando os El Niños perigosos para os corais, e agora estamos vendo o surgimento do branqueamento em todo verão quente", evidenciou o coautor do trabalho, C. Mark Eakin, da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA).

Dupla ameaça

Além das águas quentes, os corais têm uma nova ameaça: coroas-de-espinhos (Acanthaster planci). Elas são uma espécie de estrela-do-mar que devora os corais, estendendo seu estômago sobre eles e usando enzimas digestivas para liquefazer os tecidos. Embora sejam predadoras naturais, elas têm se alastrado de maneira intensa.  No mês passado, coroas-de-espinhos foram encontradas em proporções dignas de uma praga nos Recifes Swains, no extremo sul da Grande Barreira, por pesquisadores da Autoridade do Parque Marinho do recife. Ainda não se sabe a causa de tamanha proliferação, mas há indícios de que os animais se multiplicam rapidamente na região em função da poluição e escoamento agrícola.

"Cada estrela-do-mar devora aproximadamente seu diâmetro corporal todas as noites, então isso se intensifica significativamente ao longo do tempo", explicou Hugh Sweatman, cientista do Instituto Australiano de Ciência Marinha. As autoridades australianas informaram que já estão concentrando reforços para eliminarem o excesso de coroas-de-espinhos.