Notícias

Projeto da Colômbia cria corredor ecológico mundial de 200 milhões de hectares

62 UCs e 81 terras indígenas brasileiras estão incluídas no trecho, contabilizando mais de 876 mil km². A faixa vai dos Andes ao Atlântico.

08 de Janeiro de 2018
Foto Projeto
Mapa com as fronteiras do corredor ecológico / Crédito: Gaia Amazonas

Está nas mãos do Brasil a implantação do "Triplo A", o maior corredor ecológico do mundo. A faixa, dos Andes ao Atlântico, cobriria 200 milhões de hectares. A ideia do Corredor Andes-Amazônia-Atlântico, também conhecido como triplo A ou, simplesmente, AAA, está em gestação há alguns anos, mas ainda esbarra em burocracias e na falta de vontade política. A iniciativa é capitaneada pela Fundação Gaia Amazonas, com sede em Bogotá, na Colômbia.

No total, 309 áreas protegidas (957.649 km²) e 1.199 terras indígenas (1.223.997 km²) de oito países seriam conectadas pelo corredor. Em solo brasileiro, o AAA passaria pelos estados do Amazonas, Roraima e Amapá. O corredor atravessaria toda a calha norte do rio Amazonas, que contém 62 UCs e 81 terras indígenas, contabilizando mais de 876 mil km² protegidos. Os números colocam o país como um dos protagonistas do projeto. "O corredor ecológico que estamos propondo existirá só se o Brasil entrar na iniciativa", disse Martin Von Hildebrand, presidente da Gaia.

Em 2015, o assunto chegou ao país por vias não oficiais. "É sim interessante, mas [a ideia] não tinha recebido a acolhida do governo Dilma e nunca mais foi apresentada formalmente. Conheço o assunto por ONGs interessadas e pelo próprio Martin, pois estive com ele três vezes, mas nunca me chegou nada oficial", relatou José Pedro de Oliveira Costa, secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente.

Em outubro do ano passado, durante o Fórum de Ministros e Consulta Regional para a Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, o Brasil demonstrou interesse na proposta. Entretanto, a iniciativa ainda carece de embasamento técnico e científico, além de barreiras burocráticas, como o aval da Fundação Nacional do Índio (Funai), já que o projeto inclui diversos territórios indígenas. Para Costa, a ideia sem planejamento seria "algo imposto de cima para baixo, como se fosse uma Transamazônica às avessas".

O secretário sugeriu ainda que o corredor não acabe nos Andes e se estenda até o Pacífico, cobrindo de ponta a ponta o continente, com intuito de contemplar mais espécies. Costa apontou a possibilidade de financiamento através do Global Environmental Facility (GEF), fundo mundial criado na Eco-92 para financiar projetos ambientais no mundo.

O outro lado

Opositores ao empreendimento acreditam que o corredor seria uma manobra para outros países controlarem a Amazônia. Outro rumor é de que produtores rurais do norte do Brasil poderiam ser contra a iniciativa, pois suas atividades seriam comprometidas.

O coordenador executivo do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), Luís Donisete, afirma que o AAA pretende apenas ampliar ações de cooperação entre governos e países da Amazônia em articulação com a sociedade civil. Para ele, qualquer temor quanto ao que se receia de uma possível internacionalização da Amazônia é infundado.

"O que se propõe são ações colaborativas entre os governos da região que, voluntariamente, congregariam esforços para manter a floresta e buscar seu  desenvolvimento sustentável, respeitando os povos que lá vivem", completou.

O presidente da Gaia Amazonas espera que em cinco anos já haja projetos em prática em alguns países envolvidos.


Com informações de O Eco