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Ibama é novamente atacado em represália à ações de combate ao desmatamento

Ataque repreende operação contra retirada ilegal de madeira de terras indígenas

08 de Novembro de 2017
Foto Projeto
Crédito: divulgação

As retaliações contra o Ibama continuam. Nesta terça-feira (07), uma viatura do instituto foi incendiada no Mato Grosso. O carro fazia parte da operação Onda Verde que ocorre em toda a Amazônia para o combate ao desmatamento.

A caminhonete estava dentro da reserva extrativista de Guariba, em Colniza, noroeste de Mato Grosso, a 70 km da gleba de Taquaraçu, local onde em maio aconteceu uma chacina que deixou nove mortos. A delegacia da Polícia Civil de Colniza vai instaurar inquérito para investigar os autores do ataque.

O Ibama acredita, porém, que o ataque tenha sido em resposta a várias ações de combate à retirada ilegal de madeira de terras indígenas da região, como as de Aripuanã, Piripikura e Kawahiva. "Algumas dessas terras indígenas têm índios isolados. O madeireiro entra e tira madeira. É um movimento que tem se valido de muito crédito virtual que está disponível - créditos que sobram de planos de manejo florestais fraudulentos ou de empresas fantasmas. Eles usam isso para 'esquentar' as madeiras extraídas ilegalmente de dentro das terras indígenas e, quando elas chegam ao Rio e a São Paulo, parecem 'legalizadas'", explica Livia Martins, superintendente do Ibama em MT.

É em torno desse movimento que o órgão estava agindo na última semana. "A gente está entrando nas TIs e flagrando um volume muito grande de madeira. Na maioria dos casos fazemos a apreensão, mas se não tem como retirar, destruímos os equipamentos para não ter reincidência", afirma.

Livia diz que nos últimos dias a inteligência do órgão começou a detectar um número alto de postagens em redes sociais com incitação à violência contra funcionários do Ibama.

Uma delas, postada há dois dias, dizia: "Só acho q fogo no Ibama ou em carro do governo não muda nada... Deveria ser nos carros particular (sic) ou na casa deles. Quem sabe em outra abordagem eles ia (sic) rever suas ação (sic) e respeitar quem realmente está suando para ganhar seu pão de cada dia...".

Em nota, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) informou que a maioria do desmatamento ilegal do estado se concentra nessa região. "A Sema realizou neste ano uma força tarefa para inibir irregularidades cometidas por madeireiras. De março a agosto de 2017 o grupo apreendeu cerca de 4 mil m³ de madeira ilegal, o que corresponde a 143 carretas".

Histórico

Este é o segundo ataque a órgãos ambientais federais em menos de duas semanas. No dia 28, as sedes do Ibama e ICMBio, além de vários carros e um barco foram incendiados em Humaitá, no Amazonas, após ação de combate ao garimpo ilegal.

Em julho, um caminhão-cegonha com oito carros do Ibama foi queimado na BR-163, em Altamira, no Pará. A área ficou no centro da polêmica sobre a Medida Provisória 756, que reduzia a Floresta Nacional de Jamanxim. Na época, manifestantes pró-MP faziam bloqueios na via.


Com informações do Estadão