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Branqueamento atinge 91% da Grande Barreira de Corais

Fenômeno enfraquece os corais, que perdem sua coloração e nutrientes, deixando-o mais suscetível a doenças e morte

20 de Março de 2017
Foto Projeto
Corais brancos na Grande Barreira, em foto aérea / Crédito: Terry Hughes/Nature

Pelo segundo ano consecutivo, as mudanças de temperatura afetaram a Grande Barreira de Coral da Austrália, o maior conjunto de recifes do mundo. Segundo estudo publicado na revista científica Nature, 91% dos recifes australianos foram afetados em alguma medida pelo branqueamento.

Este fenômeno ocorre quando algum estresse, normalmente térmico, faz um coral expulsar as algas microscópicas que vivem em simbiose com ele. Essas algas, chamadas zooxantelas, são a principal fonte de alimento do coral e lhe dão cor. Quando o mar esquenta demais, elas vão embora. O coral passa fome e fica mais suscetível a doenças. Em muitos casos ele morre.

Uma equipe internacional de cientistas liderada pelo australiano Terry Hughes, da Universidade James Cook, fez um amplo inventário da tragédia. Usando imagens de avião e amostragens submarinas, eles analisaram 1.156 recifes distribuídos ao longo da Grande Barreira.

A contagem revelou que apenas 8,9% dos recifes analisados não sofreram branqueamento nenhum em 2015 e 2016, anos em que a pandemia se instalou e atingiu seu pico. Esses recifes ficam na parte sul da Grande Barreira, onde tufões ajudaram a quebrar o aquecimento acachapante da água do mar australiano - em alguns lugares, a temperatura da água ficou 8°C mais alta que a média. O número de recifes que tiveram 60% ou mais de seus corais branqueados foi quatro vezes maior do que nas pandemias anteriores.

Desde que a síndrome foi descoberta, nos anos 1980, apenas três episódios globais de branqueamento ocorreram: em 1998 (um ano de forte El Niño), em 2002 e em 2015/16. O grupo de Hughes comparou o número de recifes afetados nos três episódios e confirmou que a pandemia do ano passado foi, de longe, a pior da história. Em 1998, 42% dos corais australianos escaparam ilesos; em 2002, 45%.

As ONGs Earth Justice e Environmental Justice Australia enfatizam a necessidade de aumentar a proteção da Grande Barreira, hoje inscrita como sítio do patrimônio natural da Unesco, pedindo que ela seja listada como sítio de patrimônio ameaçado e que todos os projetos de infraestrutura que aumentem a pressão sobre os recifes sejam cancelados.