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Mudanças climáticas: altere este clima ou ele altera você

Relatório do IPCC aponta o homem como principal responsável pelas alterações do clima

Foto Institucional
Derretimento de geleiras é um dos efeitos das mudanças climáticas / Crédito: observatoriodoclima.eco.br
04 de Junho de 2014

"São as águas de março fechando o verão". A famosa composição de Tom Jobim já não pode mais ser utilizada como referência. Não é difícil notar que o clima mudou. Aumento da temperatura, secas mais intensas, enchentes frequentes, incêndios catastróficos e falta d'água são alguns exemplos de mudanças climáticas, tema que tem gerado grandes discussões e pesquisas científicas.

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a mudança climática é uma variação significante em um parâmetro climático médio ou sua variabilidade, persistindo um período extenso (que pode durar de décadas a milhões de anos). As alterações podem ser causadas por processos naturais ou pela ação do homem na composição da atmosfera ou do uso da terra.

O 5º Relatório do IPCC confirmou, mais uma vez, que o homem é o responsável pelo atual aquecimento do planeta, por meio da emissão de gases estufa, gerado pela queima de combustíveis fósseis e desmatamento, por exemplo. Segundo o IPCC, as concentrações desses gases eram estáveis na atmosfera, com variações naturais, até a Revolução Industrial. Desde então, as atividades antrópicas têm acelerado o aumento da temperatura do planeta.

Segundo o documento, o mundo aqueceu em média 0,85ºC entre 1880 e 2012. Desde 1850, as três últimas décadas foram as mais quentes. Mais de 90% do calor gerado por gases do efeito estufa está armazenado nos oceanos. A grande quantidade de CO2 que os mares absorvem faz com que fiquem mais ácidos, causando prejuízos à vida marinha.

Segundo o IPCC, se as emissões continuarem dentro das tendências atuais, o aquecimento pode chegar a 4,8ºC até 2100. O nível do mar subiria, ele ficaria ainda mais quente e ácido, haveria mais perda de gelo, as chuvas ficariam mais irregulares e os episódios de tempo severo mais frequentes e intensos, entre outras consequências.

Plantas

A seriguela e o umbuzeiro, árvores comuns do Semiárido nordestino, e a sucupira-preta, do Cerrado, fazem parte de um grupo de plantas brasileiras que poderão desempenhar um papel importante para a agricultura no enfrentamento das consequências das mudanças climáticas. Elas estão entre as espécies do país com grande capacidade adaptativa, tolerantes à escassez hídrica e a temperaturas elevadas.

"O Cerrado já foi muito mais quente e seco e árvores como pau-terra, pequi e faveiro, além da sucupira-preta, sobreviveram. Precisamos estudar o genoma dessas árvores, identificar e isolar os genes que as tornam tão adaptáveis. Isso pode significar, um dia, a chance de melhorar geneticamente culturas como soja e milho, tornando-as igualmente resistentes", disse Eduardo Assad, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Tecnológica em Informática para a Agricultura (CNPTIA) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Cálculos da Embrapa feitos com base na produtividade média da soja mostram que somente esse grão acumulou mais de US$ 8,4 bilhões em perdas relacionadas às mudanças climáticas no Brasil entre 2003 e 2013. Já a produção de milho perdeu mais de US$ 5,2 bilhões no mesmo período.

Diante dos prejuízos, uma solução apontada por Assad é a revisão do modelo produtivo agrícola. "A concentração de gases de efeito estufa na atmosfera aumentou mais de 20% nos últimos 30 anos, tornando indispensável a implantação de sistemas produtivos mais limpos", disse.

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