Espécie da vez

Árvore da vida

Buriti, palmeria generosa e de grande importância para preservação da biodiversidade

Foto Institucional Crédito: Blog cariocadorio
17 de Abril de 2013

No Brasil, não são poucas as comunidades que têm em seu seio econômico atividades cuja matéria prima é extraída do buriti, uma das mais singulares e abundantes palmeiras do país.

 

Espécie farta no maior bioma brasileiro, o Cerrado, é um indicativo certeiro da existência de água na região. Sua íntima relação com este bem tão precioso não é à toa. Ao caírem nos riachos, os frutos de seus generosos cachos são transportados pela água, ajudando a dispersar a espécie em toda a região.

 

A palmeira caracteriza as veredas - tipo de vegetação presente no Cerrado, cujo solo superficial proporciona umidade, mesmo em períodos de seca, tornando-se refúgio da fauna e flora, assim como local de abastecimento hidríco para os animais.

 

O buriti também ocorre em matas de galeria e ciliares, podendo formar densos buritizais. Além dos domínios do bioma, a árvore ocorre em toda a Amazônia e Pantanal, sobre solos mal drenados, em áreas de baixa altitude até 1000m.

 

Espécie generosa

 

Do buriti, aproveita-se quase tudo. Provê delicioso palmito e, anualmente, produz grande quantidade de frutos ricos em vitamina A, B e C e ainda fornece cálcio, ferro e proteínas. Podem ser consumidos ao natural ou em forma de doces, sucos, licores, vinho, sorvetes. Os frutos também servem de alimento para cutias, capivaras, antas e araras, que colaboram para disseminar as sementes.

 

Já o óleo extraído da fruta tem valor medicinal para os povos tradicionais do Cerrado que o utilizam como vermífugo e energético natural. Rico em provitamina A (500 000 UI), com índice de 300mg/100g, também é usado contra queimaduras provocando alívio imediato e auxiliando na cicatrização. Por absorver radiações no espectro ultravioleta, é um eficiente filtro solar. Suas substâncias ainda dão cor, aroma e qualidade a diversos produtos de beleza, como cremes, xampus, filtro solar e sabonetes. Também é utilizado para amaciar e envernizar couro.

 

Das folhas, retiram-se fibras que são usadas na confecção de diferentes artigos de artesanato, tais como, tapetes, toalhas de mesa, bolsa, brinquedos e bijuterias. Com os pecíolos (talos) das folhas são fabricados móveis. Além de serem leves, as mobílias feitas com o buriti são resistentes e bonitas. Os talos e palha são aproveitados na cobertura de casas e ranchos.

 

As folhas jovens são usadas na produção de uma fibra muito fina, conhecidda como "seda" do buriti, empregada pelos artesãos na fabricação de peças feitas com o capim-dourado.

 

O buriti é de grande importância na manutenção de olhos d'água (nascentes), chegando até a conservar locais alagadiços, de água pura e permanente. Em locais onde os olhos d'agua estão secando, recomenda-se que se plante a palmeira, além de árvores como Ingá, Sangra-d'agua, entre outras, para recuperá-los.

 

Apresentação

 

O termo buriti é a designação comum das plantas dos gêneros Mauritia, Mauritiella, Trithrinax e Astrocaryum, da família das arecáceas (antigas palmáceas). Mais especificamente, o termo costuma referirs-e à Mauritia flexuosa, uma palmeira muito alta, nativa de Trinidad e Tobago e das Regiões Central e Norte da América do Sul, especialmente de Venezuela e Brasil. Neste país, predomina nos estados de Roraima, Rondônia, Pará, Maranhão e Piauí, mas também está presente no Ceará, Bahia, Goiás, Amazonas, Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. É também conhecida como coqueiro-buriti, buritizeiro, miriti, muriti, muritim, muruti, palmeira-dos-brejos, carandá-guaçu e carandaí-guaçu.
Inspiração

 

Além de todos benefícios apresentados e de embelezar a paisagem, a palmeira ainda é fonte de inspiração para a literatura, poesia, música e artes visuais.

 

Buriti
(Mauritia flexuosa)

Poema de Antônio Miranda

Árvore da vida.
Solene,
solitária, solidária.

Nas entranhas da terra e
em cúpula celeste:
ramificações estranhas,
demarcando várzeas
celebrando oásis
matinais.

Óleo e copa,
alimento e proteção de vida.

Das entranhas da terra
ao firmamento,
uma simetria de volumes
invertidos: no espaço aberto
e no solo contido,
ampulheta de vida.

Buritizais descendo geografias
aquáticas
no roteiro dos pássaros
e tropeiros.

Escamas
córneas lustrosas
avermelhadas.

Não se sabe se é a palmeira
que passa ou o tropeiro
que fica.

Testemunhas silentes
mas não indiferentes
pois o buriti é dadivoso
umbrátil
altaneiro.

Enquanto houver buritizais
enquanto houver mananciais
enquanto houver chuvas
lodaçais
enquanto
e portanto
o milagre da existência,
entretanto
vida e pranto.

 
 

Fonte:
http://www.biologo.com.br
http://www.infoescola.com
http://www.ispn.org.br
http://pt.wikipedia.org

http://www.antoniomiranda.com.br

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