Espécie da vez

Abelhas: o zumbido mais importante da natureza ameaçado

Uso abusivo de inseticidas e agrotóxicos têm dizimado as populações do inseto em todo o mundo

Foto Institucional
01 de Junho de 2015

Trabalhadoras e vigilantes, as abelhas são responsáveis pela polinização de mais de 70 das 100 espécies vegetais que fornecem 90% dos alimentos consumidos no planeta, segundo dados da ONG WWF-Brasil. Apesar de sua extrema importância para manutenção da biodiversidade e produção de alimentos, as populações de abelhas têm sido, aos poucos, dizimadas pela ação humana.

Produtores de abelhas em todo o mundo, em especial nos Estados Unidos, já relataram perdas de até 50% das populações do inseto em colmeias. Em algumas regiões da China, elas já não existem mais. Há registros de perdas de 20 mil colônias em São Paulo, entre 2008 e 2010. Em Santa Catarina, esse número chegou a 100 mil somente em 2011. Em Minas Gerais, as perdas oscilam entre 20% e 40%, principalmente na região do Triângulo Mineiro. Há ainda relato de um caso específico, na região de João Monlevade, com a perda de 2 mil colmeias em 2013.

Uma das principais causas do desaparecimento, segundo pesquisas, é o uso abusivo de inseticidas e agrotóxicos. Substâncias presentes nesses produtos atingem o sistema nervoso e digestório das abelhas, desestabilizando seus voos e deslocamentos. Quando não morrem intoxicadas, elas perdem o caminho de volta, deixando a colmeia vazia. Em casos mais graves, não conseguem se alimentar e morrem por inanição.

Além do uso de pesticidas, outros fatores como eventos extremos causados por mudanças climáticas, poluição do ar, desmatamento seguido pela ocupação do solo por extensas monoculturas (milho, trigo e cana), bem como técnicas para aumentar a produção de mel também contribuem para o chamado Distúrbio de Colapso de Colônias (CCD, na sigla em inglês).

O alerta para conservação é essencial. Afinal, em um mundo sem abelhas, não ficaríamos apenas sem mel, cera e flores; correríamos o risco de ficar sem comida. Isso em um planeta que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), um em cada nove habitantes já passa fome.

Espécies

Em todo o mundo há cerca de 20 mil espécies de abelhas. No Brasil, cálculos indicam a existência de 2 mil a 3 mil espécies. Podemos dividi-las em dois grandes grupos: as abelhas com ferrão e as abelhas sem ferrão.

Abelhas brasileiras sem ferrão:
 
São abelhas menores que a abelha comum, do gênero Melípona e Trigona principalmente. Seus ninhos são feitos em ocos de árvores, ou em galerias na terra e são bem menores quando comparadas com as espécies que possuem ferrão. Devido à dificuldade de domesticação e à baixa produtividade, não são utilizadas comercialmente. Porém exercem a importante função de fecundar inúmeras espécies vegetais da flora brasileira.
 
Abelhas brasileiras com ferrão:

Pode-se dizer que as abelhas brasileiras são resultado do cruzamento entre as espécies européias e africanas, trazidas no passado.

A introdução das abelhas européias é atribuída aos jesuítas, que em 1839 trouxeram de Portugal enxames para o Rio de Janeiro. Em 1845 colonizadores alemães também as trouxeram da Alemanha, para os estados do Sul do Brasil. Em 1870 e 1880 recebemos abelhas da Itália no estado do Rio Grande do Sul e em 1895 mais abelhas italianas foram para Pernambuco.
 
Em 1956, pesquisadores trouxeram abelhas africanas para o estado de São Paulo, com o intuito de aumentar a produtividade do mel. Logo estas abelhas cruzaram com as espécies européias, dando origem a uma espécie híbrida que, devido à sua vitalidade, atualmente é a mais comum nas Américas. É a chamada abelha africanizada, brasileira.
 
Características:
 
As abelhas europeias não são muito agressivas de maneira geral e resistem melhor em climas mais frios, enquanto as brasileiras são mais agressivas e não se adaptam a climas frios, preferindo regiões de clima mais quente.
 
As abelhas brasileiras têm maior resistência às doenças comuns das abelhas europeias. Sua vitalidade mostra também resultados na produtividade. Seu raio de ação é maior e a sua produção de mel, própolis e outros subprodutos é notavelmente maior.

Seu corpo, que raramente ultrapassa 3,75 centímetros de comprimento, é constituído por três partes: cabeça, tórax e abdômen. No tórax encontram-se dois pares de asas e três pares de pernas. As fêmeas possuem um ovopositor na extremidade do abdômen, que é utilizado para depositar os ovos e contém um ferrão para picar os inimigos predadores.

Numa colméia, as abelhas possuem uma hierarquia: as operárias trabalham para trazer o alimento (polén e nectar), vigiar, limpar e cuidar das larvas. Os zangões (em pouca quantidade) têm a função exclusiva de acasalar com a rainha e garantir a reprodução. Já a abelha rainha é a responsável exclusivamente pela reprodução.

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