Espécie da vez

Maritaca: alarido escandaloso de volta aos céus de BH

Tem um modo peculiar de manter-se no ar, bate as asas levantando-as mais abaixo do corpo que qualquer outro psitacídeo

Foto Institucional Crédito: Wikiaves
18 de Junho de 2013

Todos os dias, seu alarido ruidoso enobrece as manhãs e tardes daqueles que tem a sorte de ouvi-lo. Tem que acredite que elas estão reaparecendo nos céus da capital mineira e há que ache que sua presença sempre foi fiel, pondendo agora ter aumento em número. "Nossa sensibilidade para observar o ambiente que nos cerca tem aumentado a cada dia, o que nos revela surpresas ocultas que, até então, não reparávamos", diz o biólogo Gustavo Pedersoli.

 

O periquitão-maracanã (Aratinga leucophthalma - que em latim significa pássaro com branco ao redor dos olhos) também é conhecido por aratinga-de-bando e é uma ave da ordem Psittaciformes, família Psittacidae. Apresenta outros nomes populares como: maritaca (Minas Gerais e São Paulo), araguaí, araguari, aratinga, arauá-i, aruaí, guira-juba, maracanã, maracanã-malhada, maricatã (Minas Gerais). 

 

Essas verdes aves trazem no peito, lados da cabeça, pescoço e asas algumas destoantes penas vermelhas. As coberteiras inferiores grandes da asa são amarelas, chamando muito a atenção quando em voo. Nos jovens, as penas vermelhas são ausentes, sendo inteiramente de cor verde. 

 

Em média, o tamanho do periquitão-maracanã é de 32 centímetros e sua alimentação é, principalmente, a base de frutos e sementes. Voa em bandos de cinco a 40 indivíduos. Habita desde florestas até cidades, uma vez que é adaptável a ambientes alterados pelo homem. É encontrado na Colômbia, Venezuela, norte da Argentina, Uruguai e em quase todo o Brasil, principalmente no Cerrado. 

 

O sexo da maritaca não é visível. Para identificá-lo é preciso um exame de sexagem, ou de DNA (por gotas de sangue ou com quatro ou cinco penas), ou ainda por laparoscopia onde se visualiza o órgão sexual que é interno. 

 

A nidificação acontece em ocos de pau, palmeiras de Buriti, paredões de pedra e embaixo de telhados de edificações. Como a maior parte dos psitacídeos, não coleta materiais para a construção do ninho, colocando e chocando os ovos diretamente sobre o solo. Mantêm-se discreta quando nidifica em habitações, chegando e saindo do ninho silenciosamente e esperando, pousada em árvores, até que possa voar para o ninho sem ser percebida. Quando nidifica em habitações, costuma roer fios e causar curto-circuito. 

 

O acasalamento costuma ser de agosto a janeiro, resultando cerca de três ovos (às vezes cinco) chocados por 23 a 25 dias, em média. Os pais alimentam os filhotes até saírem do ninho, com cerca de dois meses de idade. 

 

Tem um modo peculiar de manter-se no ar, bate as asas levantando-as mais abaixo do corpo que qualquer outro psitacídeo. Dentro da mata, a curta distância, voa sem fazer o menor ruído.  O sinal de susto é um sacudir vigoroso de toda plumagem. 

 

Quanto menor o grau de conhecimento em relação as diferenças entre as aves, a tendência é chamar de maritaca ou maitaca, todo psitacídeo menor que o papagaio. Geralmente, pessoas mais velhas e habitantes da zona rural conseguem fazer uma distinção clara entre as diversas espécies e sabem diferenciar uma maitaca de um periquitão e de um periquito. Com a urbanização e com o pouco contato com a natureza perdeu-se este referencial. 

 

Apesar de não estar na lista de animais ameaçados de extinção, o pássaro é afetado pelo tráfico de animais silvestres. A Amda lembra que manter qualquer ave silvestre, como a maritaca, em cativeiro sem autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é crime. A multa é de R$ 500. 

 

Números alarmantes 

 

Cerca de 38 milhões de animais silvestres são retirados todo ano da natureza brasileira, principalmente aves. Apenas quatro milhões são vendidos, principalmente na Região Sudeste, onde se concentra a demanda por animais traficados. O restante acaba em gaiolas, é solto ou morre vítima do tráfico ou maus tratos. Aprisionar ou vender animais silvestres é uma prática ilegal, mas comum em todo o Brasil. 

 

O comércio ilegal de vida silvestre é estimulado pela procura de zoológicos, colecionadores, petshops e indústrias e também para pesquisa e biopirataria. As redes de escoamento de animais silvestres adotam métodos semelhantes aos usados por traficantes de drogas, armas e pedras preciosas para falsificar documentos, subornar, sonegar impostos e definir rotas de transporte nacional e internacional.  

 

 

Fontes:

Wikiaves

WWF

www.maenatureza.net/natureza/96-maritacas.html

 

 

 

 

 

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