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Região Cárstica de Lagoa Santa - Vetor Norte de Belo Horizonte

Situada a 45 quilômetros de Belo Horizonte, essa região marca sua importância ambiental e científica pela presença de dolinas - complexo sistema hídrico caracterizado por rios subterrâneos e lagoas e formações rochosas calcárias milenares - que compõem cenário de grutas que abrigam pinturas rupestres e tesouros arqueológicos. Há ali expressivos remanescentes florestais que protegem espécies da fauna e flora ameaçados de extinção compostos por Cerrado, Mata Atlântica (Floresta Estacional Semidecidual) e Mata Seca (Floresta Estacional Decidual), que se desenvolvem sobre os afloramentos calcários.  Na mesma paisagem, observam-se formações rochosas, sumidouros d'água e bela vegetação.

  

Por sua proximidade com a capital mineira, a região já sofria processo desordenado de ocupação. A área destinada à criação do Parque do Sumidouro, por exemplo, quando da construção do Aeroporto de Confins, foi em parte ocupada e destruída por loteamentos pertencentes a prefeitos de Lagoa Santa. Após anúncio de construção do Anel Viário Norte, da Linha Verde e da Cidade Administrativa do governo de Minas, esse processo centuplicou e a região tornou-se a "galinha de ouro" da especulação imobiliária. Afinal, somente na Cidade Administrativa trabalham 16.000 pessoas. Boa parte delas deve almejar morar em Lagoa Santa, Pedro Leopoldo ou Matozinhos, tanto por sua "Cainda" qualidade de vida, quanto porque o deslocamento de BH para o trabalho é um suplício devido ao trânsito caótico de Belo Horizonte.


O problema é que os governos Federal e Estadual não se deram ao trabalho de pensar e planejar projeto ambiental para a região, apesar de seu valor científico e histórico e importância para preservação do meio ambiente. A região mencionada está praticamente toda inserida na Área de Proteção Ambiental de Lagoa Santa (APA Lagoa Santa), criada pelo Ibama. Muito pouco adiantou isso para proteger a região porque o órgão sempre foi permissivo com empreendimentos econômicos de toda natureza.


A Amda, apoiada por membros do Projeto Manuelzão, Associação de Moradores de Quintas do Sumidouro e outras instituições, "partiu então para a briga" e conseguiu, em 2007 (quando foi concedida a Licença Prévia para o Centro Administrativo), que o governo de Minas assumisse alguns compromissos em relação à área ambiental, com destaque para criação e implantação do Sistema de Áreas Protegidas (SAP Vetor Norte) e implementação do Sistema de Fiscalização Ambiental.  Até o momento, o primeiro foi parcialmente cumprido e o segundo continua na "Cestaca zero". 


O SAP, concebido inicialmente para proteger pelo menos 25.000 ha, foi reduzido para 15.000 ha, pois muitas áreas foram retiradas para atender a interesses de grandes proprietários ou da mineração. A previsão é que sejam criadas 15 unidades de conservação, divididas em duas etapas (10 na primeira e cinco na segunda). Até fevereiro de 2012, apenas sete foram criadas e nenhuma delas foi implantada. A atual direção do Instituto Estadual de Florestas, sob o comando de Affonso Ortiz Gomes, comprometeu-se a mudar esta situação. Segundo dirigentes do órgão, o processo de criação de UCs no Estado deverá nortear-se doravante por entendimentos prévios com proprietários e comunidades envolvidas, visando prevenir problemas.

 

A Amda, assim como outras instituições com atuação no Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, têm participado de reuniões periódicas na Semad, e a entidade vem acompanhando de perto os problemas existentes na região, sendo autora de inúmeras denúncias sobre atividades degradadoras que nela ocorrem. 

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